Estudo brasileiro revela que variedades de arroz mantêm níveis de emissão de metano similares

Uma descoberta recente conduzida por pesquisadores no Vale do Paraíba, em São Paulo, traz novos elementos para o debate sobre a sustentabilidade na produção de arroz. O estudo demonstrou que diferentes linhagens do grão, mesmo apresentando ciclos de vida e estruturas físicas distintas, liberam quantidades praticamente idênticas de metano (CH₄) quando cultivadas em sistemas alagados. O resultado surpreendeu a comunidade acadêmica por divergir de padrões observados em pesquisas internacionais, onde características da planta costumam ditar o ritmo da liberação de gases.

Padrão de emissão desafia a literatura internacional
O experimento focou em duas variedades populares: a IAC 105, que possui um ciclo de desenvolvimento intermediário, e a Epagri 106, conhecida pelo ciclo mais curto. Enquanto estudos realizados fora do Brasil frequentemente associam plantas mais altas ou com maior biomassa a emissões mais elevadas, os dados colhidos em Pindamonhangaba mostraram um equilíbrio estatístico. A IAC 105 registrou 118 kg de metano por hectare, enquanto a Epagri 106 emitiu 109 kg, uma diferença irrelevante do ponto de vista científico.

De acordo com Magda Lima, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, o acompanhamento mostrou que o gás aumenta conforme a planta se desenvolve, atingindo o ápice durante a fase de floração. Esse comportamento está ligado à atividade microbiana no solo inundado, onde as raízes liberam substâncias orgânicas que alimentam as bactérias produtoras de metano.

Eficiência climática superior aos padrões globais
Um dado animador para a agricultura nacional é que os índices de emissão detectados ficaram abaixo das estimativas médias do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Enquanto o IPCC prevê uma média de 1,62 kg de metano por hectare ao dia para o arroz irrigado no Brasil, as cultivares paulistas registraram taxas entre 0,95 kg e 0,98 kg.

A pesquisadora Giovana Batista, da Unicamp, observa que fatores climáticos específicos, como uma safra marcada pela baixa incidência de chuvas e um plantio realizado mais tarde que o habitual, podem ter influenciado esses valores reduzidos. Mesmo com uma produtividade abaixo do potencial máximo das plantas naquele ano, o potencial de aquecimento global ajustado foi idêntico para ambas as variedades: 1,02 kg de CO₂ equivalente para cada quilo de grão produzido.

Caminhos para uma lavoura de baixo carbono
Considerando que mais de 80% do arroz produzido no Brasil vem de áreas de várzea ou sistemas alagados, entender essa dinâmica é vital para o cumprimento de metas climáticas. O metano é um gás de efeito estufa preocupante, com um potencial de aquecimento 28 vezes superior ao do dióxido de carbono.

Os resultados sugerem que, para as condições de solo e clima avaliadas, a troca de uma semente por outra não altera significativamente a pegada de carbono da fazenda. Contudo, os cientistas ressaltam a urgência de ampliar o leque de pesquisas com variedades ainda mais contrastantes e sob diferentes manejos de solo. O objetivo final é identificar linhagens que garantam o prato de comida do brasileiro com o menor impacto atmosférico possível, subsidiando políticas públicas e inventários nacionais mais precisos. Com informações da Assessoria de Comunicação da Embrapa

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