Agronegócio mineiro segue mostrando sua força no cenário internacional

O campo em Minas Gerais continua demonstrando sua força e relevância no cenário econômico nacional. No primeiro quadrimestre deste ano, compreendendo os meses de janeiro a abril, as exportações do agronegócio do estado alcançaram a expressiva marca de US$ 5,8 bilhões, resultado do embarque de 4,8 milhões de toneladas de produtos. Mesmo registrando uma retração de 11,9% no faturamento e de 9,3% no volume em comparação com o mesmo intervalo de 2025, o estado assegurou sua posição no topo, figurando entre os três maiores exportadores do setor no Brasil, sendo responsável por 10,6% de toda a receita nacional do segmento.

A variação negativa nos índices gerais não reflete um cenário de retração generalizada. Segundo a análise de Manoela Teixeira, assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a diminuição ficou concentrada em setores específicos de grande relevância financeira, como a cafeicultura e o segmento sucroalcooleiro. Por outro lado, o comércio exterior mineiro deu provas de sua resiliência por meio da diversificação, registrando desempenhos favoráveis nas vendas de carnes, sementes, algodão, papel, animais vivos, couros, frutas e bebidas.

A variedade da produção local permitiu que mais de 500 tipos de itens produzidos no estado chegassem a 160 países no período. Minas Gerais concentrou 71% de todo o café enviado pelo Brasil ao exterior, além de responder por 30,5% dos produtos apícolas, 20,4% dos derivados lácteos, 12,8% da alimentação animal e 11,9% do grupo que reúne hortaliças, leguminosas, raízes e tubérculos.

Desempenho das carnes impulsiona a balança comercial
O grande destaque de expansão nos primeiros quatro meses do ano veio do segmento de proteínas animais, puxado especialmente pela valorização da carne bovina. Juntas, as cadeias de carne bovina, suína e de frango geraram uma receita de US$ 576,7 milhões, somando 160 mil toneladas despachadas para o exterior. O indicador representou um avanço de 8,2% em faturamento e um incremento discreto de 0,7% no volume físico na comparação anual com 2025.

Resultados dos principais pilares de exportação
O café permaneceu isolado na liderança como o produto mais demandado da pauta mineira, movimentando US$ 3,2 bilhões com o envio de 7,4 milhões de sacas, montante que indicou retrações de 17,5% em valor e de 26% em volume quando confrontado com os dados do ano anterior. O complexo da soja, englobando o grão, o farelo e o óleo, garantiu o segundo lugar no ranking estadual, contabilizando US$ 1,14 bilhão e 2,71 milhões de toneladas movimentadas, o que equivale a decréscimos de 2,8% e 8,9%, respectivamente. Já as indústrias de açúcar e álcool faturaram US$ 268,7 milhões, uma redução de 22,9% provocada, em grande parte, pela queda no preço médio pago por tonelada, enquanto o volume recuou 2,7%.

Exigência e estabilidade no mercado europeu
A União Europeia manteve o posto de principal parceira comercial do agronegócio de Minas Gerais, absorvendo 29,6% do total exportado, o que gerou uma receita de US$ 1,7 bilhão. O bloco apresentou uma oscilação contida, com quedas de 2,9% em receita e de 2,5% em volume, demonstrando estabilidade nos preços médios praticados. O café representou a quase totalidade dos embarques para os países europeus, alcançando 94,4% do faturamento direcionado ao bloco. Apesar dessa concentração, o setor de produtos florestais cresceu 42,8% e o comércio de carnes mais do que duplicou, sinalizando frentes promissoras para a ampliação do portfólio na região.

Diversificação estratégica na América do Sul
No âmbito do Mercosul, os vizinhos Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia somaram compras na ordem de US$ 82 milhões, detendo 1,4% da participação total da pauta de exportações. Embora o faturamento tenha oscilado negativamente em 2,1%, a quantidade de produtos entregues cresceu 10,1%, devido à diminuição no preço médio das mercadorias. A Argentina despontou como a principal compradora do grupo, concentrando 63,2% dos negócios mineiros direcionados ao bloco. Diferente da dinâmica europeia, a pauta para o Mercosul mostrou-se bastante variada: o café liderou com 38,3%, seguido por cacau e seus derivados, proteínas animais, produtos florestais, além de outros vegetais, hortas e tubérculos, o que abre espaço para a venda de bens de consumo regional e alimentos industrializados de maior valor agregado. Com informações da Agência Minas

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