Devassa em contas digitais de fintechs revela movimentação bilionária de facção criminosa em canais financeiros alternativos
As engrenagens financeiras utilizadas pelo crime organizado sofreram um duro golpe institucional. Uma força-tarefa descobriu que seis empresas de tecnologia financeira (fintechs) movimentaram, de forma totalmente atípica, a impressionante cifra de R$ 26 bilhões. Os dados foram detalhados pelo secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, logo após o desencadeamento da Operação Fluxo Oculto.
A ofensiva aconteceu por meio de um trabalho integrado entre o Ministério Público do Estado de São Paulo e os auditores da Receita Federal. O foco central da ação foi desmantelar uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais operada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) que se valia da agilidade dessas plataformas digitais. O secretário destacou uma situação alarmante apurada nas investigações: uma única startup financeira sob suspeita chegou a transacionar mais de R$ 1 bilhão em espécie, uma prática considerada incompatível com a natureza e as normas operacionais desse modelo de negócio e que escancara a ocultação de ativos ilícitos.
Expansão da organização criminosa e o mecanismo das contas ocultas
A nova fase investigativa representa um desdobramento direto da Operação Carbono Oculto, deflagrada no ano anterior. Desta vez, o cumprimento dos mandados judiciais mobilizou equipes policiais e de fiscalização em cinco estados de forma simultânea: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. No total, os agentes públicos foram às ruas para dar cumprimento a 59 mandados de busca e apreensão.
O Ministério Público paulista constatou que o grupo criminoso demonstrou alta capacidade de reorganização. Mesmo após sofrer perdas com a primeira operação, que expôs desvios de solventes petroquímicos (nafta) e o uso de três fintechs, a facção estruturou novas rotas financeiras e incluiu mais seis instituições digitais no esquema. O modelo fraudulento se apoiava nas chamadas “contas-bolsão” — contas coletivas abertas pelas fintechs dentro de grandes bancos comerciais tradicionais. Essa dinâmica permitia misturar os recursos ilegais com transações legítimas, pulverizando os rastros contábeis e dificultando a identificação dos reais remetentes e destinatários dos recursos, barreira que acabou sendo rompida pelo cruzamento de dados das autoridades.
Combate ao vácuo normativo e reação contra notícias falsas
O avanço na identificação das fraudes foi atribuído a um aperto na fiscalização implementado recentemente. Conforme apontou Robinson Barreirinhas, o mercado nacional conviveu durante anos com uma ausência de ferramentas regulatórias severas e de governança para as plataformas de pagamento digitais, o que permitia que essas empresas operassem sem as amarras de transparência exigidas há duas décadas do sistema bancário tradicional.
O gestor relembrou que as medidas adotadas no ano passado pela Receita Federal para fechar essas brechas regulatórias enfrentaram forte resistência de grupos interessados, gerando uma das maiores ondas de desinformação e notícias falsas já direcionadas contra a autarquia. Apesar dos ataques cibernéticos e institucionais, o comando do órgão reafirmou que o cerco financeiro e o compartilhamento de relatórios de inteligência com o Ministério Público são os caminhos fundamentais para minar a sustentabilidade econômica e neutralizar o poder das facções transnacionais no país. Com informações da Agência Brasil
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