Nova tecnologia via infravermelho identifica origem do café e barra fraudes com baixo custo

O café brasileiro ganhou uma aliada tecnológica poderosa para garantir sua pureza e procedência. Pesquisas conduzidas pela Embrapa Rondônia revelam que a espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) é capaz de distinguir a origem geográfica dos grãos e detectar adulterações de forma quase instantânea. A técnica, que já revolucionou setores como o de leite e soja, entra agora em fase final de validação para a cafeicultura, prometendo ser uma ferramenta essencial para fortalecer indicações geográficas e certificações de qualidade.

A impressão digital do café através da luz
O funcionamento da NIR assemelha-se à leitura de uma “impressão digital” química. O equipamento emite um feixe de luz infravermelha sobre a amostra (seja em grão ou moída), e a interação dessa luz com os compostos químicos gera um sinal único, chamado espectro. Por meio de algoritmos e bancos de dados robustos, o sistema compara esse sinal e identifica, em questão de segundos, se o café pertence ao terroir anunciado ou se houve mistura de grãos de diferentes regiões.

Essa precisão permite, por exemplo, diferenciar os robustas amazônicos — incluindo variedades cultivadas por comunidades indígenas — dos conilons produzidos na Bahia ou no Espírito Santo. Segundo o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, a tecnologia atinge um nível de detalhamento que chega à área produtiva específica, valorizando a identidade territorial e a biodiversidade dos sistemas tradicionais.

Combate rigoroso a fraudes emergentes
Além de atestar a origem, a tecnologia NIR atua como um “scanner” contra adulterações, um problema que tende a crescer com a valorização do preço do café. O sistema detecta rapidamente a presença de materiais estranhos misturados ao pó ou ao grão, como:
Milho e soja;

Casca e borra;

Sementes de açaí (considerada uma fraude emergente no mercado).

Diferente das análises laboratoriais convencionais, que podem levar dias e exigem reagentes químicos caros, a NIR é não destrutiva e não gera resíduos. “Se houver qualquer contaminante ou resíduo, a curva espectral muda e confirmamos a fraude na hora”, explica Alves.

Democratização da rastreabilidade e baixo custo operacional
Um dos maiores benefícios dessa inovação é a economia. A estimativa é de que o uso da NIR possa reduzir os custos de análise em até 95%. Por não exigir infraestrutura sofisticada ou reagentes, o equipamento pode ser utilizado em versões portáteis diretamente no campo, em unidades móveis de fiscalização ou em cooperativas.

Essa agilidade transforma a rotina de associações e pequenos produtores, que passam a ter acesso a uma ferramenta de certificação de origem antes restrita a grandes laboratórios. O pesquisador Michel Baqueta ressalta que o treinamento é simples e que o investimento se torna altamente viável por meio do uso coletivo.

O futuro digital da cafeicultura brasileira
Os próximos passos da pesquisa incluem a expansão do banco de dados para cobrir todas as regiões produtoras do Brasil e o desenvolvimento de plataformas conectadas à nuvem. No futuro, a integração da NIR com aplicativos de celular poderá permitir que a rastreabilidade digital ligue o produtor diretamente ao consumidor final, oferecendo total transparência sobre a pureza do café.

Além do café, a Embrapa já vislumbra a aplicação do mesmo método em cadeias como cacau, vinhos e frutas, consolidando um novo padrão de confiança para o agronegócio brasileiro no mercado internacional. Com informações da Assessoria de Comunicação da Embrapa

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