Anistia Internacional cita potências que ignoram as regras globais e “Operação Contenção” no Rio de Janeiro
A Anistia Internacional apresentou, ontem (21), um diagnóstico severo sobre o estado das liberdades fundamentais em seu relatório anual “A situação dos direitos humanos no mundo”. O documento, que analisa a realidade de 144 nações, aponta que potências como Estados Unidos, Israel e Rússia têm protagonizado ataques deliberados ao multilateralismo e ao direito internacional. Segundo a organização, essas ações não ocorrem por falhas técnicas do sistema, mas por uma estratégia de controle hegemônico que ignora as normas globais em benefício próprio.
A erosão do direito internacional por Washington e Tel Aviv
De acordo com o levantamento, o cenário no Oriente Médio e nas Américas reflete uma quebra institucional grave. A Anistia acusa Israel de persistir em um processo de genocídio contra palestinos em Gaza, mesmo após o acordo de cessar-fogo estabelecido no final de 2025. O relatório detalha a manutenção de um regime de apartheid, a expansão de assentamentos ilegais e o incentivo à violência por parte de colonos na Cisjordânia.
Paralelamente, o papel dos Estados Unidos é duramente questionado. A organização cita mais de 150 execuções extrajudiciais por meio de bombardeios navais, além de um ato de agressão direta contra a Venezuela no início de 2026. O documento também vincula o uso ilegítimo da força por parte de americanos e israelenses ao aumento da instabilidade com o Irã, resultando em ataques que atingiram infraestruturas civis e colocaram em risco a segurança alimentar e energética de milhões de pessoas.
Conivência europeia e a ofensiva russa
No continente europeu, a Rússia é apontada por intensificar ofensivas contra estruturas civis vitais na Ucrânia. No entanto, a crítica da Anistia estende-se à União Europeia. O relatório sugere que a maioria dos Estados europeus adotou uma postura passiva diante das violações cometidas pelos Estados Unidos e não agiu com o rigor necessário para interromper o fornecimento de armamentos que alimentam crimes internacionais. Para a secretária-geral da entidade, Agnès Callamard, o caminho para a recuperação global exige o fim da aplicação seletiva das leis internacionais.
Violência policial e crise de segurança no Brasil
O capítulo brasileiro do relatório destaca a segurança pública como uma ferida aberta. A Anistia classifica a “Operação Contenção”, ocorrida no Rio de Janeiro em outubro de 2025, como a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortes. O documento reforça que essas ações seguem um padrão de letalidade que atinge majoritariamente pessoas negras e moradores de periferias, evidenciando o uso desproporcional da força estatal.
Além do cenário policial, o Brasil enfrenta índices alarmantes de feminicídio e violência contra a população LGBTI. A organização apela para que o governo brasileiro assuma compromissos urgentes com a demarcação de terras indígenas e quilombolas, além de implementar medidas de responsabilização para agentes do Estado envolvidos em abusos. Com informações da Agência Brasil
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