Alerta em São Paulo com salto no número de feminicídios no início de 2026

O estado de São Paulo iniciou o ano enfrentando um desafio crítico na proteção à vida das mulheres. Dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam que o mês de janeiro registrou 27 casos de feminicídio, o que representa um aumento em comparação às 22 mortes contabilizadas no mesmo período de 2025. O cenário reforça a urgência de debates sobre a eficácia das políticas de acolhimento e o combate à cultura da violência de gênero.

A distribuição geográfica dos crimes aponta que o interior paulista foi o mais atingido, concentrando 20 das mortes registradas no primeiro mês do ano. A capital e a região metropolitana somaram as outras sete ocorrências. Em meio à tragédia, as forças de segurança efetuaram 15 prisões em flagrante, sendo 12 delas em cidades do interior.

O silêncio e o ciclo invisível da violência
Diferente de outros tipos de homicídios, o feminicídio raramente é um evento isolado ou repentino. Para a pesquisadora Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem/UEL), o crime é o ápice de um agravamento progressivo de abusos. De acordo com a especialista, a Lei Maria da Penha já detalha que agressões psicológicas, emocionais e patrimoniais costumam preceder o ataque físico fatal.

Muitas vezes, esse ciclo é alimentado pelo isolamento da vítima. “Muitas vezes a mulher se sente intimidada, envergonhada, não socializa isso com a família”, explica Bertasso. Quando a denúncia ocorre no círculo íntimo, ainda é comum que o problema seja minimizado como “apenas uma fase”, negligenciando os sinais claros de perigo iminente.

Falhas na rede de proteção e a influência da “machosfera”
Um ponto de preocupação levantado pela pesquisa é a vulnerabilidade de mulheres que, mesmo possuindo medidas protetivas expedidas pela Justiça, acabam sendo assassinadas pelos agressores. O fenômeno evidencia a necessidade de que o Estado ofereça uma proteção mais assertiva e eficaz para quem rompe o silêncio.

Além das falhas estruturais, a pesquisadora aponta para o crescimento da chamada “machosfera” no ambiente digital — redes que disseminam ideais misóginos e fortalecem a masculinidade tóxica. Segundo o Lesfem, esses espaços sem controle têm cooptado jovens e crianças, o que torna a educação de gênero nas escolas uma medida preventiva urgente para desconstruir esses pensamentos desde cedo.

Brasil vive série histórica de recordes negativos
O aumento em São Paulo não é um fato isolado, mas reflete uma tendência nacional preocupante. O Brasil fechou o ano de 2025 com o trágico recorde de 1.518 vítimas de feminicídio, uma média de quatro assassinatos por dia. Foi o segundo ano consecutivo de alta, superando os números de 2024.

No território paulista, 2025 também foi o ano mais violento para as mulheres desde o início da série histórica em 2018. Ao todo, 270 mulheres perderam a vida por questões de gênero no estado no ano passado, um crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior. Os números atuais de janeiro indicam que a tendência de alta ainda não foi revertida, exigindo atenção redobrada das autoridades e da sociedade civil. Com informações da Agência Brasil

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