Ar respirado no Brasil ultrapassa níveis de segurança recomendados pela OMS
A qualidade do ar em território nacional é um desafio crescente para a saúde pública. De acordo com o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a concentração de diversos poluentes atmosféricos no país excede frequentemente os limites máximos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento sistematiza dados de 2024 e utiliza, de forma inédita, os novos padrões de transição definidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
A análise revela que a maioria das substâncias monitoradas — como ozônio, dióxido de enxofre e materiais particulados — manteve-se acima dos níveis admissíveis ao longo do ano. Apenas o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) apresentaram índices dentro do esperado, com exceção de ultrapassagens específicas em estados como o Maranhão.
Tendências regionais e o impacto dos poluentes
O relatório detalha um cenário preocupante de aumento na concentração de gases nocivos em diversas regiões. O ozônio (O3), por exemplo, atingiu picos em estações de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. Já o dióxido de nitrogênio (NO2) apresentou uma tendência de elevação que chegou a 22% em território fluminense, com reflexos também em São Paulo e Pernambuco.
A situação dos materiais particulados também acende um alerta:
Particulado Fino: Micropartículas que penetram profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea. Apesar de uma queda de 8,4% em São Paulo, os níveis globais ainda exigem estratégias de controle rigorosas.
Particulado Inalável: Partículas maiores, mas ainda capazes de atingir o trato respiratório. Em Minas Gerais, uma estação localizada em uma área escolar detectou um aumento de 8% na presença desses resíduos.
Avanços na rede de monitoramento e falhas de governança
Um dado positivo do levantamento é a expansão da infraestrutura de fiscalização. O Brasil conta atualmente com 570 estações de monitoramento, o que representa um crescimento de 44% em comparação a 2022. Esse avanço é impulsionado pela Política Nacional de Qualidade do Ar, que centraliza as informações no sistema MonitorAr.
Entretanto, o Ministério do Meio Ambiente aponta que ainda há gargalos na transparência. Muitos estados não enviam os dados com a frequência necessária, resultando em 75 estações inativas e outras 21 com status desconhecido. Essa subnotificação dificulta a criação de um diagnóstico exato sobre a poluição em tempo real em certas localidades.
Próximos passos para a política ambiental
Especialistas reforçam que a existência do relatório é um marco jurídico e administrativo, mas destacam que o país precisa avançar na gestão de crises. Uma das principais críticas é a ausência de dados sobre “picos diários” de poluição — momentos de contaminação extrema que ocorrem em períodos de queimadas ou secas severas e que acabam diluídos nas médias anuais.
Para o futuro, o MMA destaca a necessidade de fortalecer os planos estaduais de gestão do ar e expandir os inventários de emissões. O objetivo é garantir que o Brasil não apenas monitore, mas implemente ações integradas para reduzir as substâncias tóxicas e proteger a população de doenças respiratórias e cardiovasculares. Com informações da Agência Brasil

