Fome diminui mais em lares com Bolsa Família chefiados por mulher
O protagonismo das mulheres na administração dos recursos domésticos está transformando o cenário social do país. De acordo com o estudo “Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil”, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e apresentado no Rio de Janeiro, a queda da fome foi mais acentuada em lares beneficiários do Bolsa Família onde a mulher é a responsável pela unidade familiar. Os dados revelam que, entre as famílias que superaram a carência nutricional e atingiram a segurança alimentar, 71% possuem uma figura feminina no comando.
Eficiência no gasto doméstico e bem-estar infantil
A pesquisa detalha uma queda de 2,4 pontos percentuais na insegurança alimentar grave — condição que caracteriza a fome propriamente dita — em domicílios chefiados por mulheres entre 2023 e 2024. No mesmo período, a redução em lares sob responsabilidade masculina foi menor, de 1,8 ponto percentual. Especialistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) apontam que esse fenômeno ocorre porque as mulheres tendem a priorizar gastos essenciais, como saúde, educação e, principalmente, uma alimentação de qualidade para as crianças.
Ao todo, cerca de 670 mil lares liderados por mulheres deixaram o mapa da fome para ingressar na estabilidade alimentar no intervalo de apenas um ano. Esse movimento é impulsionado pelo desenho estratégico do programa, que prioriza a mulher como titular do cartão de pagamento. Em março de 2026, o Bolsa Família alcança 18,73 milhões de famílias, com um valor médio de benefício fixado em R$ 683,75.
Recorte racial e superação da pobreza extrema
A questão da fome no Brasil possui uma face nitidamente feminina e negra. O levantamento da FGV assinala que, das mulheres que levaram seus lares à segurança alimentar, 61,4% são pretas ou pardas. Durante a divulgação do estudo, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou que o combate à desnutrição é indissociável da pauta racial e educacional, reforçando que a segurança alimentar é o alicerce para que crianças e jovens possam se desenvolver nas escolas.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, reiterou que a decisão de colocar os recursos diretamente nas mãos das mulheres é estratégica para a superação da pobreza. Segundo ele, o empoderamento financeiro feminino aumenta o poder de decisão e barganha dentro de casa, garantindo que o investimento federal se reverta em dignidade para todo o núcleo familiar.
O retorno do Brasil à estabilidade nutricional
Após um período crítico em 2022, quando o país registrava 33 milhões de pessoas em situação de fome, o biênio 2023-2024 marcou a retirada de 26,5 milhões de brasileiros dessa condição. Esse esforço permitiu que, em 2025, o Brasil saísse novamente do Mapa da Fome da ONU, indicador que monitora nações onde mais de 2,5% da população sofre de subalimentação crônica.
A projeção da FGV é contundente: sem a existência do Bolsa Família, a insegurança alimentar grave no país saltaria de 7,1% para 8,1%. O estudo conclui que a transferência direta de renda, aliada à sensibilidade administrativa das mulheres, é a política pública mais eficaz para garantir que o acesso ao alimento deixe de ser uma incerteza e passe a ser um direito consolidado em todo o território nacional. Com informações da Agência Brasil


