Maioria dos brasileiros defende fim da jornada 6×1 mas rejeita cortes nos ganhos

O debate sobre a modernização das relações de trabalho no Brasil ganhou dados concretos com a divulgação de um estudo recente da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados. Segundo o levantamento, realizado em todo o território nacional, 73% dos cidadãos apoiam a extinção da escala 6×1 — modelo em que se trabalha seis dias para apenas um de descanso. O apoio, no entanto, é condicionado: a grande maioria dos favoráveis só aceita a mudança se o salário atual for integralmente preservado.

A pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas em todas as unidades da Federação entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2026. Os números revelam que, embora o desejo por mais tempo de descanso seja quase unânime, a realidade econômica do país fala mais alto quando o assunto é o bolso.

O dilema entre mais folgas e menos dinheiro
De acordo com Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, o brasileiro médio deseja a ampliação do descanso semanal — 84% acreditam que o trabalhador deveria ter ao menos duas folgas obrigatórias —, mas a possibilidade de redução salarial inverte o apoio ao projeto. Se a diminuição da jornada vier acompanhada de um contracheque menor, o suporte à proposta despenca para apenas 28%.

A análise aponta que, em um país com renda média baixa e precarização do trabalho, a folga extra é vista como um luxo que muitos não podem pagar se o custo for a redução de sua subsistência. “Quem não quer ter folga a mais? Agora, quando a gente coloca que você vai ganhar menos, o cidadão não quer porque tem conta para pagar”, explicou Tokarski.

Conscientização política e polarização ideológica
Embora o tema domine as redes sociais e os corredores do Congresso, a pesquisa identificou que o conhecimento profundo sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda é limitado. Apenas 12% dos entrevistados afirmam conhecer bem os detalhes do texto, enquanto 35% nunca sequer ouviram falar sobre o fim da escala 6×1.

O apoio à medida também reflete a polarização política do país:
Eleitores de Lula: 71% são favoráveis ao fim da escala, alinhando-se a uma bandeira histórica defendida por setores do atual governo.

Eleitores de Bolsonaro: 53% apoiam a mudança, mostrando que a pauta ultrapassa barreiras ideológicas, embora o índice seja menor do que entre os governistas.

O caminho da PEC e a transição gradual
A PEC 148/2015, que trata do tema, avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no final de 2025 e agora aguarda votações cruciais nos plenários da Câmara e do Senado. Se o Congresso mantiver o texto atual, a mudança não será imediata, ocorrendo de forma escalonada:
Até 2027: Permanecem as regras atuais (44 horas semanais).

A partir de 2027: A jornada cai para 40 horas semanais, com a obrigatoriedade de dois descansos semanais.

Até 2031: O teto de trabalho chegará a 36 horas por semana.

A grande batalha legislativa, no entanto, permanece no parágrafo que proíbe a redução da remuneração. Enquanto trabalhadores exigem a manutenção do poder de compra, representantes das empresas defendem que a diminuição das horas trabalhadas deveria refletir diretamente nos custos salariais. Com informações da Agência Brasil

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