Iphan libera R$ 20 milhões para restaurar a Igreja de São Francisco no Pelourinho, em Salvador

Um ano após a tragédia que abalou o coração do Pelourinho, em Salvador, um novo capítulo começa a ser escrito para um dos maiores tesouros do barroco mundial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oficializou o repasse de R$ 20 milhões para as obras de recuperação da Igreja de São Francisco de Assis, carinhosamente chamada de “Igreja de Ouro”. O investimento, proveniente do Novo PAC do governo federal, também contempla o restauro do convento anexo ao complexo.

Atualmente, o templo passa por intervenções emergenciais para estabilizar sua estrutura secular. Embora o aporte anunciado seja um passo fundamental, o desafio financeiro ainda é vasto: a estimativa para a restauração completa de todo o conjunto arquitetônico beira os R$ 90 milhões. Diante disso, a Comunidade Franciscana da Bahia já planeja uma mobilização nacional para arrecadar os valores remanescentes e devolver a dignidade ao monumento.

Uma cicatriz aberta no patrimônio baiano
A intervenção ocorre sob a sombra de um evento fatídico. Em 5 de fevereiro do ano passado, o desabamento parcial do telhado da igreja interrompeu a contemplação de dezenas de visitantes e resultou na morte da turista paulista Giulia Righetto, de apenas 26 anos, além de ferir outras cinco pessoas. Desde aquele tarde, as portas da igreja permanecem fechadas, privando o mundo de um dos exemplares mais ricos da arquitetura sacra.

Uma missa na vizinha Igreja da Ordem Terceira de São Francisco marcou o primeiro ano da partida de Giulia. Enquanto as orações buscam conforto para amigos e familiares da jovem de Ribeirão Preto, a ausência de respostas judiciais sobre as responsabilidades pelo acidente ainda ecoa como uma cobrança por justiça e por uma preservação mais rigorosa do acervo histórico nacional.

O valor de uma das sete maravilhas de origem portuguesa
Tombada pelo Iphan e reconhecida internacionalmente como uma das “sete maravilhas de origem portuguesa no mundo”, a Igreja de São Francisco de Assis foi construída entre os séculos 17 e 18. Sua fama deriva do interior quase inteiramente revestido em ouro, talhado com uma riqueza de detalhes que define o auge do estilo barroco no Brasil colonial.

O esforço de restauração coordenado pelo Iphan não é apenas uma obra de engenharia, mas um trabalho minucioso de resgate artístico. Cada detalhe da talha dourada e dos painéis de azulejos precisa ser preservado para que o templo recupere sua função religiosa e turística, reafirmando Salvador como um dos principais eixos da memória histórica das Américas. Com informações da Agência Brasil

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