Sucesso do cinema brasileiro em 2026 é fruto de políticas de Estado e investimento contínuo
O cinema nacional vive um de seus momentos mais gloriosos na vitrine global, colhendo os frutos de um planejamento que atravessa décadas. Longe de ser um fenômeno passageiro, o destaque atual em premiações como o Oscar, o Globo de Ouro e grandes festivais internacionais é o resultado prático de uma política de Estado voltada para o setor audiovisual. Para especialistas e gestores, a consolidação desse “momentum” depende, agora, da manutenção da perenidade desses investimentos.
A força da indústria e o impacto na economia
Leonardo Edde, presidente da RioFilme, defende que o audiovisual não deve ser visto apenas sob o prisma artístico, mas como uma indústria robusta que movimenta o Produto Interno Bruto (PIB). O setor gera um efeito cascata que beneficia desde o turismo até o comércio local, empregando uma vasta cadeia produtiva que inclui transporte, alimentação e hotelaria.
A estratégia agora é garantir que o crescimento seja constante, evitando as interrupções que historicamente prejudicaram o setor. Segundo Edde, a diversidade regional é um dos grandes trunfos atuais: com produções premiadas vindas de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, o Brasil demonstra que possui realizadores talentosos e empresas preparadas em diversos polos.
O papel dos mecanismos de fomento e a polêmica da Rouanet
O sucesso de obras recentes reacendeu o debate sobre as ferramentas de incentivo. Enquanto o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), gerido pela Ancine, foca no desenvolvimento e distribuição de longas-metragens de grande repercussão, a Lei Rouanet atua em nichos complementares, como curtas, médias-metragens e na manutenção de salas de exibição.
Recentemente, o ator Wagner Moura rebateu críticas e desinformações sobre esses mecanismos, ressaltando que a resistência às políticas culturais muitas vezes ignora o papel fundamental do Estado na promoção da identidade nacional. Filmes aclamados como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” exemplificam a eficiência desses investimentos, projetando a imagem do país para o mundo e abrindo portas para novos mercados.
Berlim e a nova safra de cineastas
A presença brasileira no Festival de Berlim 2026 coroa essa fase positiva, destacando especialmente a renovação de talentos. Com uma seleção diversa que inclui desde documentários de Eliza Capai até a histórica primeira animação brasileira escolhida para o festival — “Papaya”, de Priscilla Kellen —, o Brasil mostra que não é o “país de um filme só”.
A crítica de cinema Flávia Guerra aponta que esse prestígio internacional atua como uma “Copa do Mundo da cultura”, inspirando jovens a enxergarem o audiovisual como uma carreira viável. O desafio remanescente, contudo, é converter esse reconhecimento em público fiel nas salas de cinema brasileiras, um espaço que ainda enfrenta a forte concorrência do streaming e as sequelas da pandemia.
Internacionalização e futuro do ecossistema
Para os especialistas, o objetivo final é a internacionalização recorrente. O papel do poder público, além de fomentar a criação, deve focar na distribuição e na proteção das salas de cinema, ambiente considerado o mais nobre para a sétima arte. Ao garantir que a produção brasileira seja constante e diversa, o país se posiciona de forma sólida no mercado global, seguindo modelos de sucesso como o da Coreia do Sul. Com informações da Agência Brasil

