Anvisa emite alerta sobre riscos de lesão no fígado associados a suplementos de cúrcuma

O uso de suplementos alimentares e medicamentos à base de cúrcuma — popularmente conhecida como açafrão — entrou no radar de segurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em um alerta de farmacovigilância divulgado pela agência reguladora chamou a atenção para casos raros, porém graves, de inflamação e danos severos ao fígado vinculados ao consumo dessas substâncias em formatos concentrados, como cápsulas e extratos.

A tecnologia de absorção como fator de risco
Segundo a Anvisa, o perigo não reside na planta em si, mas nas formulações modernas e tecnologias de fabricação. Muitos produtos atuais são desenvolvidos para potencializar drasticamente a absorção da curcumina pelo organismo, atingindo níveis muito superiores aos encontrados no consumo convencional. É essa superconcentração que tem sido associada a episódios de toxicidade hepática em diversos países.

Investigações em nações como Itália, Austrália, Canadá e França já haviam acendido o sinal de alerta após o registro de dezenas de casos de hepatite e outros efeitos adversos ligados a esses suplementos. Na França, autoridades de saúde documentaram relatos consistentes de intoxicação que reforçaram a necessidade de monitoramento global.

Segurança no uso culinário está preservada
Um ponto fundamental do comunicado da Anvisa é a distinção entre suplementos e o uso doméstico do tempero. O pó de cúrcuma utilizado rotineiramente na culinária é considerado seguro e não faz parte do alerta. A agência esclarece que não existem evidências de risco no consumo da especiaria como alimento ou aditivo alimentar, uma vez que as concentrações e a capacidade de absorção pelo corpo nessas condições são significativamente menores do que nas versões manipuladas.

Sinais de alerta e cuidados para o consumidor
A agência listou sintomas específicos que podem indicar problemas no fígado após a ingestão de produtos concentrados com cúrcuma. Caso o usuário apresente qualquer um dos sinais abaixo, a orientação é suspender o uso imediatamente e buscar auxílio médico:
Icterícia (pele ou olhos com coloração amarelada);

Urina em tons muito escuros;

Náuseas e dores na região abdominal;

Fadiga extrema e persistente sem causa aparente.

Eventuais reações adversas devem ser reportadas aos sistemas oficiais de monitoramento, como o VigiMed (para medicamentos) e o e-Notivisa (para suplementos).

Novas regras para bulas e rótulos
Como ação preventiva imediata, a Anvisa ordenou a atualização das bulas de medicamentos que contêm a substância, como o Motore e o Cumiah, que agora deverão exibir avisos claros de segurança. No setor de suplementos, a agência iniciará uma reavaliação completa da substância e passará a exigir que os rótulos contenham advertências obrigatórias sobre possíveis efeitos colaterais, garantindo que o consumidor esteja plenamente informado sobre os riscos da alta concentração. Com informações da Agência Brasil

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