Minas Gerais revoluciona detecção da hanseníase com tecnologia molecular na rede pública
No contexto da campanha Janeiro Roxo, o Governo de Minas Gerais dá um passo histórico no combate à hanseníase ao integrar testes moleculares inéditos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, conduzida pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), visa modernizar o diagnóstico, oferecendo maior precisão técnica e agilidade no início do tratamento. O estado, que registra mais de mil novos casos anualmente, foca agora em tecnologia de ponta para quebrar a cadeia de transmissão e evitar danos permanentes aos pacientes.
Tecnologia de ponta reduz tempo de espera
A grande novidade na rede estadual é o processamento dos exames no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG). Anteriormente, as amostras que exigiam análise molecular dependiam de apenas três centros de referência em todo o Brasil, o que prolongava o tempo de resposta. Com a descentralização, a Funed estima realizar cerca de 500 exames ao longo de 2026, utilizando kits aprovados pela Conitec. Essa inovação laboratorial serve como um suporte robusto ao diagnóstico clínico, sendo fundamental para definir a melhor conduta terapêutica e monitorar pessoas que tiveram contato direto com pacientes confirmados.
Diagnóstico precoce como arma contra o esquecimento
O secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti, alerta que a hanseníase, apesar de ser uma enfermidade milenar, ainda é uma realidade presente e muitas vezes subnotificada. “Há pessoas convivendo com a doença sem saber”, pontua o secretário, reforçando que a Atenção Primária é a porta de entrada para a cura. O tratamento, que dura entre seis e doze meses, é totalmente gratuito e interrompe a transmissão logo após a primeira dose. A recomendação é clara: qualquer alteração de sensibilidade ou surgimento de manchas na pele deve ser avaliado imediatamente em uma unidade de saúde.
Estratégia regional e o combate ao preconceito
Além do reforço tecnológico, o Plano Estadual de Enfrentamento da Hanseníase prioriza a busca ativa de casos e a capacitação de equipes municipais, respeitando as particularidades de cada região mineira. Especialistas como o dermatologista Yargos Rodrigues Menezes destacam que, além dos desafios médicos, o estigma social ainda é um grande obstáculo. Manchas, caroços ou feridas que não doem podem ser sinais da doença que afeta nervos periféricos. Para os profissionais, disseminar informações de qualidade é a estratégia mais eficaz para desconstruir o preconceito e garantir que o paciente busque ajuda antes de desenvolver sequelas irreversíveis. Com informações da Agência Minas


