Ipea investiga os danos das notícias falsas na gestão das políticas públicas brasileiras
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) deu início a um levantamento inédito para compreender como a circulação de informações enganosas na internet tem prejudicado o funcionamento do Estado. O foco da pesquisa são os servidores que ocupam cargos de comissão ou funções de confiança na administração federal, profissionais que estão na linha de frente da execução de projetos que impactam diretamente a vida da população.
Desde o início de abril, os gestores que integram o público-alvo do estudo vêm recebendo convites para participar da coleta de dados através da plataforma SouGov. O questionário, que pode ser respondido em cerca de 15 minutos, ficará disponível para preenchimento até o dia 2 de junho.
Blindagem de dados e rigor ético
Para garantir a segurança e a liberdade de expressão dos participantes, o Ipea assegura que o levantamento é totalmente anônomo e confidencial. O instituto reforça que não há coleta de informações pessoais que possam identificar os respondentes, respeitando integralmente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e as diretrizes do Conselho Nacional de Saúde para pesquisas em ciências humanas e sociais.
A expectativa é que o diagnóstico final seja consolidado e apresentado em novembro de 2026, logo após o encerramento do período eleitoral, garantindo que o debate técnico ocorra com o distanciamento necessário das disputas políticas imediatas.
A desinformação como obstáculo ao desenvolvimento
O interesse do Ipea pelo tema parte de uma constatação preocupante: as chamadas fake news deixaram de ser um problema exclusivo das campanhas eleitorais para se tornarem um entrave administrativo. Segundo o instituto, o fenômeno agora atinge a própria legitimidade e a implementação de políticas públicas essenciais.
A pesquisa “Desinformação e Políticas Públicas” possui três pilares fundamentais:
Percepção institucional: Identificar como os gestores vivenciam episódios de desinformação no dia a dia e como isso afeta a criação e avaliação de programas governamentais.
Estratégias de enfrentamento: Mapear quais ferramentas os órgãos federais possuem — ou deixam de possuir — para combater dados imprecisos ou enganosos.
Tomada de decisão: Avaliar o quanto a desinformação interfere na comunicação oficial e na gravidade dos impactos causados à sociedade civil.
Ao compreender a extensão desse fenômeno, o Ipea pretende oferecer subsídios para que o governo federal consiga proteger seus projetos de ataques informacionais, garantindo que as decisões de gestão sejam baseadas em fatos e evidências científicas, e não em ruídos digitais. Com informações da Agência Brasil

