Igreja Católica lança Campanha da Fraternidade 2026 com foco na superação do déficit habitacional
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início oficial à Campanha da Fraternidade (CF) de 2026, ontem (18). Com o lema inspirado no Evangelho de João, “Ele veio morar entre nós”, a iniciativa deste ano coloca o direito à moradia digna no centro do debate nacional. Para a Igreja, a habitação não é apenas uma infraestrutura física, mas a base fundamental para que o cidadão tenha acesso a outros direitos essenciais, como saúde e educação.
A casa como alicerce da dignidade humana
Durante o lançamento em Brasília, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers, enfatizou que o acesso a um lar seguro não deve ser visto como um benefício para poucos, mas como uma pré-condição para a cidadania. A campanha busca desnaturalizar a imagem de crianças crescendo em áreas de risco ou de indivíduos dormindo sob as marquises das grandes cidades. A mensagem central é clara: sem um teto digno, o exercício de outros direitos fundamentais torna-se praticamente impossível.
O secretário-executivo de Campanhas, padre Jean Poul Hansen, reforçou o apelo ao citar o exemplo da Sagrada Família, que vivenciou a falta de abrigo em Belém. Para a CNBB, a sociedade e o poder público precisam se comprometer com ações que vão além do período quaresmal, transformando a caridade em políticas públicas eficazes que garantam o “aconchego de um lar” aos mais vulneráveis.
Radiografia do déficit e o papel do Estado
A campanha traz à tona números preocupantes da realidade brasileira. Dados de 2022 indicam que cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua no país. Embora o Ministério das Cidades aponte um recuo de 3,8% no déficit habitacional absoluto entre 2022 e 2023 — caindo de 6,21 milhões para 5,97 milhões de domicílios —, o abismo social ainda é profundo.
O governo federal destacou os avanços do programa Minha Casa, Minha Vida, que superou a marca de 1,9 milhão de unidades contratadas desde 2023, com aportes que ultrapassam R$ 300 bilhões. A nova meta é atingir 3 milhões de moradias até o final de 2026, um esforço que a CNBB cobra ser mantido como prioridade máxima nos orçamentos municipais, estaduais e federais.
Solidariedade simbolizada no Cristo Sem Teto
A programação da CF 2026 segue para o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, com um ato simbólico de grande impacto visual. No próximo sábado (21), será instalada a escultura “Cristo Sem Teto”, do artista Timothy Schmalz. A obra, que retrata Jesus como uma pessoa em situação de rua, serve como um lembrete constante da identificação de Cristo com os desamparados.
A solenidade de instalação e a missa de abertura em Aparecida, presididas pelo cardeal Jaime Spengler, marcam o compromisso da Igreja em acompanhar não apenas a entrega de “muros e telhados”, mas a reintegração social completa das famílias, auxiliando na geração de renda, na saúde e no fortalecimento dos vínculos comunitários. Com informações da Agência Brasil


