Educação médica em xeque: maioria dos cursos é aprovada no primeiro Enamed, mas redes municipal e privada tiveram desempenhos preocupantes

A radiografia da formação de novos médicos no Brasil ganhou um capítulo decisivo nesta segunda-feira (19). O Ministério da Educação (MEC), em conjunto com o Ministério da Saúde, apresentou os resultados da edição inaugural do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O balanço revela que, embora 69% das instituições tenham atingido um patamar satisfatório, uma parcela significativa de cursos enfrenta dificuldades críticas de qualidade, especialmente nas esferas municipal e privada com fins lucrativos.

Desempenho por categoria: a excelência das federais e o gargalo das municipais
O exame avaliou 351 cursos de medicina em todo o território nacional. Destes, 243 garantiram proficiência a pelo menos 60% de seus alunos concluintes. No entanto, o detalhamento das notas expõe um abismo entre os diferentes modelos de gestão.

Os estudantes das instituições federais e estaduais lideraram o ranking de proficiência, com médias de 83,1% e 86,6%, respectivamente. No extremo oposto, o desempenho mais preocupante veio da rede municipal, onde os 944 alunos avaliados atingiram uma média de apenas 49,7% — resultado considerado insuficiente. O setor privado com fins lucrativos também ficou abaixo do esperado, com média de 57,2%.

Para o ministro da Educação, Camilo Santana, o foco do governo agora será o suporte e a fiscalização dessas unidades com baixo rendimento. “Queremos que esses cursos continuem e ampliem vagas, mas com garantia de qualidade na formação”, afirmou o ministro.

Medidas punitivas e supervisão rigorosa para cursos reprovados
O governo federal não pretende apenas observar os números. Instituições que apresentaram desempenho inferior a 60% de proficiência entre seus concluintes enfrentarão processos administrativos de supervisão. Para 99 cursos que estão sob regulação direta do governo federal e ficaram nas faixas consideradas insatisfatórias, as sanções serão aplicadas de forma escalonada.

As medidas cautelares incluem restrições severas, como:
Proibição de abertura de novas vagas;

Redução imediata na oferta de vagas atuais;

Suspensão do acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies);

Bloqueio total do ingresso de novos estudantes em casos mais graves.

As universidades terão um prazo de 30 dias para apresentar defesa após a publicação dos resultados no Diário Oficial. Caso as sanções sejam confirmadas, elas permanecerão em vigor até a próxima edição do Enamed, agendada para outubro de 2026.

O que é o Enamed e seu impacto na carreira médica
Instituído em abril de 2025, o Enamed surgiu como uma evolução do antigo Enade, adaptado especificamente para as particularidades da graduação em medicina. Mais do que um selo de qualidade para a faculdade, o exame tornou-se um marco na carreira do estudante: o desempenho individual agora pode ser utilizado como critério para o ingresso em programas de residência médica via Exame Nacional de Residência (Enare), organizado pela Ebserh.

Ao todo, quase 90 mil pessoas se inscreveram nesta primeira edição, entre profissionais formados e estudantes no último ano da graduação, consolidando o exame como o principal termômetro da saúde da educação médica brasileira. Com informações da Agência Brasil

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