Anvisa projeta salto na eficiência com foco em ciência nacional e agilidade regulatória
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entra em 2026 com uma agenda ambiciosa para transformar o cenário da saúde no país. Sob o comando do economista Leandro Safatle, que assumiu a presidência após a aprovação pelo Senado no último ano, a autarquia busca equilibrar o rigor científico absoluto com a necessidade de uma gestão mais dinâmica. O objetivo central é claro: destravar as filas de análise e garantir que as inovações tecnológicas brasileiras cheguem com prioridade ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Prioridade máxima para a ciência produzida no Brasil
Uma das grandes mudanças na nova gestão é o olhar atento para o que é desenvolvido dentro do território nacional. Em entrevista, Safatle destacou que, historicamente, o país importa a maior parte das tecnologias de saúde, mas que esse fluxo está mudando. O exemplo mais promissor é a polilaminina, um medicamento criado por pesquisadores de uma universidade pública para tratar lesões medulares.
Para potencializar esses avanços, a agência criou o Comitê de Inovação, que monitora projetos estratégicos de alto impacto para a saúde pública. Além da polilaminina, o grupo acompanha de perto a vacina contra a Chikungunya, o método Wolbachia para frear a dengue e o desenvolvimento de endopróteses nacionais. “Estamos lidando com inovação feita no país, com desenvolvimento nacional”, reforçou o diretor-presidente, garantindo celeridade especial a esses processos.
Estratégias para zerar o represamento de processos
Para combater a lentidão nas aprovações, a Anvisa implementou uma série de medidas excepcionais e temporárias. A meta é reduzir o volume das filas pela metade em apenas seis meses e normalizar o fluxo de pedidos em um ano. As táticas incluem:
Reliance (Confiança Regulatória): Aproveitamento de estudos clínicos e documentação já validados por autoridades internacionais para ganhar tempo.
Análises Conjuntas: Agrupamento de produtos similares para avaliações otimizadas.
Sala de Situação: Monitoramento diário da evolução dos prazos e processos internos.
Safatle enfatiza que o aumento da velocidade não significa qualquer tipo de afrouxamento nas regras. O rigor científico e a segurança sanitária permanecem como os pilares inegociáveis do órgão. A aceleração será fruto de melhorias na gestão de processos e não da redução da exigência técnica.
Reforço no quadro técnico e reconhecimento global
A capacidade operacional da agência receberá um fôlego extra entre janeiro e fevereiro de 2026. Cem novos especialistas, aprovados em concurso público, serão nomeados para integrar as frentes de trabalho. Este é o reforço mais significativo no corpo técnico da instituição na última década, e os novos servidores serão direcionados prioritariamente para o esforço de redução das filas de medicamentos e dispositivos médicos.
No plano internacional, a Anvisa vive um momento de consagração. A agência está passando por um processo de qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para se consolidar como autoridade sanitária de referência global. O reconhecimento oficial deve fortalecer a posição do Brasil nas Américas e no mundo, garantindo que o selo da Anvisa seja sinônimo de excelência e confiabilidade em qualquer mercado. Com informações da Agência Brasil


