Vendas no varejo atingem topo histórico impulsionadas por emprego e oferta de crédito
O comércio brasileiro alcançou uma marca sem precedentes, registrando o patamar de vendas mais elevado de sua série histórica. De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo IBGE, o volume de vendas em janeiro apresentou um crescimento de 0,4% em relação a dezembro, igualando o recorde anterior de novembro de 2025. O setor de bens essenciais, que engloba hipermercados, alimentos e bebidas, acompanhou essa tendência de alta, consolidando-se como o grande motor do varejo ao representar mais da metade da atividade comercial do país.
Para especialistas, esse desempenho surpreendente ocorre devido a uma combinação de fatores estruturais da economia que estão conseguindo neutralizar os efeitos negativos das taxas de juros elevadas.
Mercado de trabalho vive momento de ouro
Um dos principais pilares para o consumo recorde é a robustez do mercado de trabalho. Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, destaca que o Brasil atingiu a menor taxa de desemprego já apurada para o período, fixada em 5,4%. Com 102,7 milhões de pessoas ocupadas — outro recorde histórico —, a economia brasileira viu a massa salarial (a soma de todos os rendimentos dos trabalhadores) atingir o montante impressionante de R$ 370,3 bilhões, um salto de 2,9% em apenas um mês.
Essa maior disponibilidade de renda nas mãos da população garante um fluxo contínuo de consumo, especialmente em itens de primeira necessidade, sustentando o comércio mesmo em períodos de incerteza econômica.
Crédito desafia a Selic em alta
Outro fenômeno que chama a atenção dos analistas é a resiliência do crédito. Embora a taxa básica de juros (Selic) esteja em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas para tentar frear a inflação —, o financiamento para pessoas físicas não recuou. Pelo contrário, houve uma expansão de 1,6% em janeiro.
A lógica econômica tradicional sugere que juros altos deveriam encarecer os empréstimos e desestimular as compras. Entretanto, o crédito continua sendo um combustível vital para a manutenção das vendas em patamares elevados, com exceção do setor automotivo, que registrou queda nos financiamentos de veículos.
O papel das fintechs e do Open Finance
A explicação para essa “resistência” do crédito diante dos juros altos reside na modernização do sistema financeiro. Segundo Gecilda Esteves, economista e professora do Ibmec-RJ, a proliferação das fintechs aumentou a competitividade entre as instituições, facilitando o acesso a recursos que antes eram restritos a poucos bancos.
A digitalização bancária e o sistema de Open Finance também desempenham papéis cruciais. Com o compartilhamento de dados autorizado pelos clientes, os bancos conseguem realizar análises de risco muito mais precisas e personalizadas. Isso permite que bons pagadores tenham acesso a crédito com maior facilidade, reduzindo a inadimplência e mantendo o dinheiro circulando na economia, independentemente do cenário restritivo imposto pela política monetária do Banco Central. Com informações da Agência Brasil

