Agro mineiro registra salto de mais de 60% no volume de grãos produzidos em 10 anos

Embora o agronegócio mineiro seja historicamente reconhecido pela força de suas cadeias de café, leite e hortifrúti, as plantações de grãos vêm conquistando um espaço cada vez mais robusto no cenário econômico do estado. Uma análise detalhada realizada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa) indica que o volume conjunto de soja, milho, sorgo e feijão disparou 61% em um intervalo de dez anos. O montante saiu de 11,8 milhões de toneladas colhidas no ciclo de 2015/2016 para uma projeção de 18,9 milhões de toneladas no período de 2025/2026.

Esse avanço consolidou Minas Gerais como o sexto maior produtor de grãos do país, respondendo por uma fatia de aproximadamente 6% de toda a demanda nacional. As regiões do Noroeste, do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro mantêm a soberania como os principais polos e motores desse crescimento contínuo no campo.

Intensificação no manejo do solo e rotação de culturas multiplicam a produtividade
A otimização na ocupação das propriedades rurais desempenhou um papel crucial para atingir esses indicadores históricos. A estratégia de cultivar soja no primeiro período do ano e, logo em seguida, introduzir o milho na segunda safra — popularmente chamada de safrinha — converteu antigas áreas ociosas em terrenos altamente produtivos. Esse revezamento permitiu expandir a colheita global sem a necessidade de desbravar novas extensões de terra, elevando a eficiência por hectare.

Como reflexo direto dessa dinâmica, a cultura do milho de verão cedeu espaço para a oleaginosa, enquanto o milho safrinha registrou uma expansão expressiva. Esse movimento alçou a soja ao patamar de 9,2 milhões de toneladas no balanço decenal, transformando-a no segundo item mais importante na balança de vendas externas do estado, posicionada logo atrás do café. Somente no ano passado, os embarques do grão somaram 6,8 milhões de toneladas, gerando divisas de US$ 2,7 bilhões.

Inovações tecnológicas e pesquisas científicas abrem espaço para novos avanços
A liderança da pasta da Agricultura aponta que o segmento apresenta um horizonte de crescimento ainda maior para os próximos anos, motivado pela introdução da agricultura de precisão — que utiliza frotas de drones e sensores para monitoramento das lavouras — e de técnicas modernas de irrigação. Outro suporte fundamental vem sendo fornecido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que atua no desenvolvimento de cultivares geneticamente melhoradas, capazes de tolerar variações climáticas severas e entregar maior rendimento.

A tendência é que os estudos científicos de melhoramento genético, que já transformaram a cafeicultura mineira, sejam estendidos de forma intensa para culturas como o trigo, a soja, o milho, o sorgo e o feijão, priorizando práticas agrícolas mais sustentáveis.

Panorama atual e desafios logísticos e climáticos para o próximo ciclo
Apesar do balanço positivo da última década, o planejamento para o período de 2026/2027 exige cautela por parte dos agricultores. O setor monitora com atenção variáveis macroeconômicas e geopolíticas que podem interferir nos custos de produção, tais como as taxas de juros elevadas e conflitos internacionais que afetam rotas marítimas importantes — como o Estreito de Ormuz —, gerando entraves e atrasos no fornecimento de adubos e fertilizantes importados. No âmbito climático, a aproximação do fenômeno El Niño também desperta alertas devido ao risco de atraso no início do período chuvoso.

Ainda assim, o fechamento consolidado para a safra de 2025/2026, com base nos levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estabelece metas sólidas para os principais produtos mineiros:
Soja: 9,1 milhões de toneladas

Milho: 7 milhões de toneladas

Sorgo: 1,6 milhão de toneladas

Feijão: 499 mil toneladas
Com informações da Agência Minas

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