Brasil atualiza estratégias para o combate à fibromialgia com foco em cuidado integral
Neste 12 de maio, data dedicada à conscientização sobre a fibromialgia, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apresenta um novo conjunto de diretrizes para o manejo da condição no país. O documento atualizado substitui as recomendações vigentes desde 2010, trazendo o que há de mais moderno em evidências científicas para orientar médicos e pacientes sobre o controle de uma síndrome que atinge entre 2,5% e 3% da população nacional.
Entendendo a complexidade da condição
A fibromialgia se manifesta como uma dor persistente que se espalha por todo o corpo, frequentemente acompanhada de exaustão extrema, sono que não restaura as energias e dificuldades de memória ou concentração. Por ser a segunda patologia reumatológica de maior incidência no Brasil, superada apenas pela osteoartrite, seu impacto vai além do bem-estar individual, gerando altos custos sociais e econômicos.
De acordo com o Dr. José Eduardo Martinez, presidente da SBR, a síndrome está ligada a falhas na forma como o sistema nervoso central processa os sinais de dor. É comum que o quadro venha acompanhado de desafios emocionais, como transtornos de ansiedade e depressão, o que exige um olhar atento e humano por parte dos profissionais de saúde. Vale reforçar que, ao contrário de condições como o lúpus ou a artrite reumatoide, a fibromialgia não é uma doença autoimune, ou seja, não ocorre um ataque do sistema de defesa contra os tecidos do próprio organismo.
Inovações no acompanhamento e diagnóstico
As novas orientações médicas ressaltam a necessidade de utilizar métricas precisas para medir a evolução do paciente. Ferramentas como o Questionário de Impacto da Fibromialgia Revisado (FIQR) e o Questionário de Pesquisa de Fibromialgia (FSQ), já adaptados para o português, tornam-se essenciais na rotina clínica para identificar a gravidade dos sintomas e o sucesso das intervenções adotadas.
Prioridade para métodos não medicamentosos
Uma das maiores mudanças nas diretrizes é o peso dado às intervenções que não dependem de farmácia. O tratamento ideal deve ser interdisciplinar, envolvendo uma rede de apoio composta por fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos, além do médico.
As práticas com maior respaldo científico incluem:
Educação em saúde: Informar o paciente e seus familiares sobre a doença para garantir maior autonomia.
Atividade física: Planos que mesclam exercícios aeróbicos e treinos de força são pilares para reduzir a dor.
Suporte psicológico: Terapias como a Cognitivo-Comportamental (TCC) mostram-se fundamentais para o equilíbrio emocional e controle do sono.
Terapias complementares: Práticas como acupuntura, técnicas de neuromodulação, Tai Chi Chuan e até o uso de exergames (jogos eletrônicos com movimento) são recomendadas como auxílio ao tratamento tradicional.
Uso consciente de remédios e restrições importantes
No campo farmacológico, a SBR enfatiza que os remédios servem para aliviar sintomas específicos, mas não resolvem a síndrome isoladamente. Substâncias como amitriptilina, pregabalina e duloxetina seguem como as principais aliadas para tratar a dor e a insônia.
Por outro lado, o documento faz um alerta rigoroso contra o uso rotineiro de opioides, anti-inflamatórios, benzodiazepínicos e canabinoides para este fim, devido à ausência de provas de eficácia e aos riscos de efeitos colaterais graves. O foco deve ser sempre o uso racional de medicamentos, buscando metas reais e a melhoria da qualidade de vida cotidiana do paciente. Com informações da Assessoria de Comunicação da Sociedade Brasileira de Reumatologia


