Setor automotivo registra alta nas vendas em fevereiro mas exportações ligam sinal de alerta
O mercado automobilístico brasileiro iniciou o ano com movimentações intensas e resultados mistos, conforme revelam os dados mais recentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em fevereiro de 2026, o volume de emplacamentos alcançou 185,2 mil unidades, o que representa um crescimento de 8,6% em relação ao mês de janeiro. No acumulado do primeiro bimestre, o setor soma 355,7 mil veículos comercializados, mantendo um patamar de estabilidade quando comparado ao desempenho do mesmo período do ano anterior.
Produção industrial em ritmo de retomada mensal
A atividade nas linhas de montagem também mostrou fôlego no segundo mês do ano. Com 204,3 mil novos veículos saindo das fábricas, a produção deu um salto de 24,9% frente às 163,6 mil unidades registradas em janeiro. Entretanto, a análise a longo prazo exige cautela: o acumulado deste primeiro bimestre (368 mil autoveículos) é 8,9% inferior ao registrado nos dois primeiros meses de 2025.
A Anfavea pondera que essa diferença anual se deve, em parte, ao calendário do Carnaval, que em 2025 ocorreu apenas em março, permitindo um ritmo fabril mais acelerado em fevereiro daquele ano.
Exportações para a Argentina preocupam fabricantes
O principal ponto de pressão para a indústria nacional tem sido o mercado externo. Embora as exportações de fevereiro (33,5 mil unidades) tenham superado as de janeiro em quase 30%, o cenário anual é de retração. No primeiro bimestre de 2026, os embarques para o exterior despencaram 28% em comparação ao ano passado.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, demonstrou preocupação especial com a Argentina, tradicionalmente o maior parceiro comercial do setor, que vem reduzindo drasticamente as compras de veículos brasileiros. Somado a isso, conflitos no Oriente Médio trazem incertezas logísticas e macroeconômicas que podem impactar a cadeia de suprimentos global.
Avanço histórico dos eletrificados produzidos no Brasil
Apesar das turbulências externas, a eletrificação da frota brasileira vive um momento de recordes. Em fevereiro, os modelos híbridos e elétricos leves responderam por 15,9% de todos os emplacamentos no país, somando 28.120 unidades.
O dado mais relevante para a indústria doméstica é que 43% desse volume já é de fabricação nacional, a maior participação da história deste segmento no Brasil. De acordo com a liderança da Anfavea, esse resultado é reflexo direto dos investimentos em novas tecnologias aplicadas no parque industrial brasileiro, reforçando a crença na resiliência e no futuro do setor automotivo no país. Com informações da Agência Brasil

