Novo medicamento aprovado pela Anvisa promete transformar a rotina de quem vive com hemofilia no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu sinal verde para o registro do QFITLIA® (fitusirana sódica), uma terapia inovadora destinada ao controle da hemofilia A e B. O tratamento, desenvolvido pela Sanofi Medley, representa um avanço significativo para os mais de 14 mil brasileiros que convivem com a patologia. A nova tecnologia é indicada para pacientes a partir de 12 anos e tem como principal objetivo prevenir ou reduzir drasticamente os episódios de sangramento, independentemente de o paciente possuir ou não inibidores dos fatores de coagulação.
Menos agulhadas e mais liberdade para os pacientes
A grande revolução trazida pela fitusirana sódica reside na sua forma de administração e na durabilidade dos efeitos. Atualmente, os protocolos padrão exigem que o paciente receba infusões endovenosas — diretamente na veia — de três a quatro vezes por semana. O novo medicamento, por outro lado, é aplicado de forma subcutânea e requer apenas uma dose a cada dois meses. Segundo a Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), essa mudança reduz a sobrecarga nos centros de saúde e devolve autonomia aos pacientes, que deixam de ter suas vidas orbitando em torno do cronograma rígido de aplicações.
O desafio genético e a importância da coagulação eficaz
A hemofilia é uma condição genética rara que afeta a capacidade do organismo de estancar hemorragias devido à ausência de proteínas fundamentais, os chamados fatores de coagulação. Enquanto a hemofilia A é caracterizada pela deficiência do fator VIII, o tipo B ocorre pela falta do fator IX. Sem a produção correta de trombina, essencial para a cicatrização, os pacientes correm riscos constantes de sangramentos musculares e articulares, que podem causar danos crônicos se não forem tratados adequadamente. Por ser ligada ao cromossomo X, a condição atinge quase que exclusivamente o público masculino.
Adesão ao tratamento como chave para a qualidade de vida
Entidades de defesa dos pacientes ressaltam que as barreiras para a continuidade do tratamento atual são altas, justamente pela frequência e complexidade das infusões venosas. Com a aprovação desta nova tecnologia, espera-se uma adesão muito maior, uma vez que o método é menos invasivo e mais prático. A possibilidade de viver sem o foco constante na doença permite que os diagnosticados busquem uma vida plena, com menos internações e maior proteção contra sangramentos espontâneos ou pós-traumáticos. Com informações da Agência Brasil


