Rede de apoio entre mulheres é o principal motor da ascensão profissional feminina
Uma união silenciosa, mas poderosa, tem transformado o ambiente corporativo brasileiro: o suporte mútuo entre mulheres. Um levantamento inédito realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Todas Group revela que a figura feminina é a maior incentivadora do sucesso de outras mulheres. Segundo o estudo, 41% das profissionais que alcançaram postos de destaque afirmam ter contado preferencialmente com o auxílio de outras mulheres para progredir em suas carreiras.
O dado contrasta fortemente com o apoio vindo de homens, citado por apenas 14% das entrevistadas. A pesquisa, que ouviu mais de 1,5 mil lideranças femininas em todo o país, reforça que o crescimento coletivo tem sido a estratégia mais eficaz para romper as barreiras do mercado de trabalho.
Perfil do incentivo varia conforme a área e idade
A percepção dessa rede de aliança é ainda mais intensa entre as gerações mais jovens. No grupo de mulheres com idade entre 25 e 40 anos, quase metade (48%) credita seu avanço profissional ao suporte de outras mulheres. Esse fenômeno é particularmente visível em setores específicos, como marketing, publicidade e comunicação, onde o índice de apoio feminino chega a 56%, e no segmento de educação e treinamento, com 53%.
Por outro lado, o apoio masculino aparece com mais frequência nos relatos de mulheres que ocupam os cargos mais altos da pirâmide corporativa, como CEOs, vice-presidentes e sócias. Nessas posições de topo, 20% das entrevistadas apontaram os homens como principais facilitadores de sua trajetória, refletindo uma estrutura que ainda mantém forte presença masculina nos centros de decisão.
O alto custo pessoal do sucesso na carreira
Apesar dos avanços na ocupação de espaços, o crescimento profissional feminino ainda exige sacrifícios severos. O estudo investigou as renúncias feitas pelas entrevistadas e o resultado é um alerta para a saúde pública: 74% das mulheres precisaram abrir mão do autocuidado, negligenciando hobbies e a própria saúde física.
Além disso, a saúde mental e o tempo de convívio familiar foram sacrificados por 53% das participantes. Essa sobrecarga tem reflexos diretos no sistema de saúde. Dados do Ministério da Saúde indicam que os casos de Síndrome de Burnout no SUS aumentaram 54% entre o público feminino em 2023, superando os registros masculinos. Simone Murata, CEO da Todas Group, observa que as mulheres tendem a se colocar no fim da lista de prioridades, tentando equilibrar as exigências da carreira com as responsabilidades domésticas e afetivas.
Mudança de mentalidade entre gerações
As prioridades de quem está entrando agora no mercado de trabalho parecem estar mudando. Enquanto as mulheres acima de 40 anos relatam que o maior sacrifício foi o tempo com a família, as jovens de até 24 anos apontam a vida social e o lazer como as principais perdas. Para os especialistas, isso demonstra que, conforme as mulheres conquistam mais espaço, a necessidade de “provar o valor o tempo inteiro” começa a dar lugar a uma busca por mais equilíbrio.
Exemplos práticos de como essa rede de apoio funciona já aparecem em grandes corporações. Iniciativas como comunidades de empreendedoras dentro de varejistas, onde milhares de mulheres trocam mentorias gratuitas e dicas de vendas, mostram que a cooperação supera a competitividade. Nesses grupos, o maior desafio relatado ainda é a tripla jornada — o desafio constante de gerenciar o lar, os filhos e os negócios simultaneamente. Com informações da Agência Brasil

