Tecnologia mineira blinda produção de tilápia contra riscos ambientais e impulsiona o setor

A tilápia, pilar da aquicultura nacional, ganhou destaque nos debates ambientais recentes após discussões sobre sua classificação como espécie exótica. Para garantir que esse gigante econômico continue a crescer sem comprometer os ecossistemas naturais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) intensifica frentes de pesquisa focadas na sustentabilidade. O objetivo é claro: aplicar ciência de ponta para que a criação do peixe seja sinônimo de segurança biológica e eficiência produtiva.

Ciência aplicada ao controle reprodutivo
Um dos maiores desafios da piscicultura é impedir que peixes com capacidade de procriação escapem para o meio ambiente. Para mitigar esse risco, a Epamig, em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trabalha no aprimoramento da masculinização dos lotes. Enquanto os métodos tradicionais ainda permitem que cerca de 5% de fêmeas sobrevivam com capacidade reprodutiva, os novos estudos buscam alcançar lotes 100% masculinos.

Além disso, a instituição investe na manipulação cromossômica e em técnicas para a geração de indivíduos estéreis. Essas inovações asseguram que, mesmo em casos eventuais de fuga para rios ou lagos, os animais não consigam estabelecer colônias ou desequilibrar a fauna nativa.

Sistemas de cultivo fechados e segurança hídrica
Outra estratégia crucial envolve a modernização dos sistemas de produção. A Epamig fomenta o uso de modelos intensivos, como a recirculação de água (RAS) e o sistema de bioflocos (BFT). Diferente dos tradicionais tanques-rede em grandes reservatórios, essas estruturas funcionam de forma desconectada dos corpos d’água naturais.

Segundo os pesquisadores, a meta não é extinguir os modelos atuais, mas sim integrar sistemas mais controlados em etapas críticas da criação. Isso reduz o tempo em que o peixe permanece em ambientes abertos e minimiza drasticamente as chances de evasão de espécimes.

Melhoramento genético para o cativeiro
O programa de melhoramento genético da Epamig também atua como uma barreira de proteção. Ao desenvolver linhagens de tilápia altamente produtivas para o ambiente controlado, os cientistas criam animais que se tornam dependentes das condições oferecidas pelo produtor. Na prática, se um desses peixes atingir a vida livre, suas chances de sobrevivência e competição com espécies nativas são mínimas, já que suas características foram selecionadas exclusivamente para o desempenho em cativeiro.

Impacto econômico e social da espécie
A importância dessa blindagem científica reflete-se nos números. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o Brasil produz anualmente mais de 600 mil toneladas de tilápia, movimentando uma economia de aproximadamente R$ 7 bilhões. Além de ser uma proteína nutritiva e acessível para a mesa do brasileiro, a atividade é uma das principais fontes de renda e emprego no interior de Minas Gerais. Com informações da Agência Minas

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