Pará de Minas registra quase 1.900 casos de diarreia em pouco mais de um mês

Atenção à higiene, à hidratação e à qualidade da água

A Secretaria Municipal de Saúde de Pará de Minas está em alerta diante do aumento de registros de doenças diarreicas. Segundo dados da Vigilância Epidemiológica, foram contabilizados cerca de 1.890 casos entre o mês de agosto e a primeira semana de setembro. Do total, dois registros foram identificados como surtos.

As doenças diarreicas podem atingir o sistema digestivo e provocar fezes amolecidas ou líquidas, aumento das evacuações e perda significativa de líquidos. Entre as possíveis causas estão infecções por vírus, bactérias e parasitas.

Segundo a enfermeira Karina Merlin, da Vigilância Epidemiológica, a transmissão pode ocorrer pelo consumo de água ou alimentos contaminados e também pela disseminação de microrganismos por meio das mãos. O contato entre pessoas também pode favorecer a propagação, especialmente quando os cuidados de higiene não são observados:

Karina Merlin
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Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

Prevenção depende de cuidados simples
Karina destaca que a hidratação é uma das principais medidas diante de um quadro de diarreia. A perda de líquidos pelas evacuações pode levar à desidratação e agravar o estado de saúde.

A orientação é manter a ingestão de líquidos, inclusive com o uso de soro de reidratação oral, além de priorizar uma alimentação adequada e alimentos mais leves. A recomendação também é evitar comidas gordurosas e reforçar a higienização das mãos com água e sabão, sem deixar de utilizar álcool em gel.

A enfermeira chama atenção ainda para a possibilidade de rápida disseminação dentro das famílias. De acordo com ela, uma pessoa pode adoecer e, em dois ou três dias, outros integrantes da mesma residência apresentarem sintomas. Por isso, as medidas de higiene precisam ser mantidas durante todo o período de ocorrência da doença:

Karina Merlin
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Quando procurar atendimento
A intensidade dos sintomas deve orientar a escolha do serviço de saúde. Casos com sinais leves de desidratação, como boca seca, aumento das evacuações e febre baixa, podem ser avaliados em uma Unidade Básica de Saúde.

Já situações de maior gravidade exigem atendimento na UPA 24 horas. Entre os sinais de alerta estão febre alta que não é controlada com medicação, presença de sangue nas fezes, vômitos persistentes, ressecamento intenso da boca e dificuldade para repor, por meio da ingestão de líquidos, o volume perdido.

Karina ressalta que crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas exigem atenção especial. Esses grupos podem apresentar desidratação mais rapidamente ou ter maior dificuldade para recuperar os líquidos perdidos. No caso das pessoas imunossuprimidas, a redução da capacidade de defesa do organismo também pode dificultar o combate à infecção:

Karina Merlin
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Qualidade da água também preocupa
Além dos cuidados individuais, a Vigilância em Saúde Ambiental reforça a importância da qualidade da água consumida pela população. Douglas Duarte, coordenador do setor, explica que o município realiza mensalmente 20 coletas para verificar a qualidade da água fornecida pela empresa concessionária, com amostras retiradas no cavalete. Segundo ele, os resultados dessas análises têm sido positivos, sem identificação de contaminação relacionada à água fornecida nesse ponto.

O alerta, porém, se estende às instalações internas dos imóveis. Douglas recomenda que a caixa-d’água e as tubulações sejam desinfetadas a cada seis meses. Tampas inadequadas, frestas e caixas sem condições apropriadas de conservação podem permitir a entrada de animais, fezes e outros contaminantes.

Divulgação/Prefeitura de Pará de Minas

O coordenador relata que equipes que atuam em ações de combate à dengue já encontraram caixas-d’água abertas contendo fezes de animais, inclusive de pombos, além de animais mortos. Esse tipo de contaminação pode favorecer a presença de agentes capazes de provocar doenças:

Douglas Duarte
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Atenção a minas e poços sem controle
Douglas também orienta cautela com o consumo de água proveniente de minas e poços artesianos que não passam por controle e análises frequentes. Segundo ele, já foram identificados, em alguns pontos do município, níveis de contaminação considerados severos por Escherichia coli e coliformes totais.

Por isso, a recomendação é evitar considerar automaticamente segura para consumo humano a água retirada de fontes sem acompanhamento adequado de sua potabilidade. A análise e o controle são necessários para verificar se o recurso apresenta condições apropriadas para ser ingerido.

Com 1.890 notificações registradas em pouco mais de um mês, a Vigilância Epidemiológica reforça que a prevenção depende da combinação entre higiene das mãos, cuidado com alimentos, consumo seguro de água e atenção aos sinais de desidratação. A identificação rápida dos casos e a procura pelo atendimento adequado também são medidas importantes para reduzir os riscos de agravamento e conter a disseminação.

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