GRNEWS TV: Servidores sobrecarregados, exaustos e pressionados na educação e saúde em Pará de Minas, diz sindicato

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, Tânia Valeriano Chaves Leite, presidente e Sabrina Lopes Silva, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Pará de Minas (SITRASERP) relatam que um debate realizado com profissionais da educação e da saúde em Pará de Minas expôs um cenário preocupante: o alto índice de adoecimento entre servidores públicos, especialmente nas áreas de ensino e atendimento em saúde.

Segundo dados compartilhados durante a discussão, educação e saúde lideram o ranking de afastamentos por atestados médicos no município. Em levantamentos anteriores, essas duas áreas chegaram a concentrar cerca de 90% dos casos registrados, enquanto as demais secretarias dividem uma parcela menor dos afastamentos.

Sobrecarga e acúmulo de funções afetam servidores
Os participantes apontam que a rotina intensa de trabalho tem sido um dos principais fatores de desgaste. No caso da educação, além das funções pedagógicas, os profissionais passaram a assumir responsabilidades que antes eram atribuídas às famílias, como acompanhamento de cuidados básicos dos alunos durante o período escolar.

Esse acúmulo de tarefas, somado à burocracia crescente e à necessidade de registros constantes, tem contribuído para um cenário de exaustão entre professores e demais profissionais da área.

“Hoje a escola também acaba assumindo papéis que não são apenas de ensinar, mas de cuidar em vários aspectos. Isso gera uma sobrecarga muito grande”, foi destacado durante o debate.

Pressão emocional também atinge profissionais da saúde
Situação semelhante é observada na área da saúde. Profissionais relatam que lidam diariamente com pacientes em situação de vulnerabilidade, muitas vezes em estado de sofrimento físico e emocional, o que amplia o nível de pressão psicológica no ambiente de trabalho.

Ambientes como unidades básicas de saúde e unidades de pronto atendimento foram citados como locais de alta demanda e forte carga emocional, o que impacta diretamente o bem-estar dos trabalhadores.

NR e mapeamento buscam identificar causas do adoecimento
Diante desse cenário, foi destacado o papel de iniciativas de mapeamento dos riscos ocupacionais. A nova norma regulamentadora voltada à saúde e segurança no trabalho foi citada como uma ferramenta importante para identificar fatores que contribuem para o adoecimento físico e mental dos servidores.

Também foi lembrado o trabalho da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, que vem realizando levantamentos em diferentes setores do município para compreender melhor as causas dos afastamentos e propor medidas preventivas.

Desvalorização e desgaste ampliam desafios na educação
Além da sobrecarga, os profissionais da educação também relatam sentimentos de desvalorização e constantes críticas externas ao trabalho docente. Segundo os relatos, há uma expectativa crescente de que a escola assuma responsabilidades que ultrapassam o processo de ensino e aprendizagem.

Para os educadores, esse cenário contribui para a perda de reconhecimento da função do professor, que deveria estar focada na mediação do conhecimento e no desenvolvimento dos estudantes, enquanto a formação familiar permanece como base essencial do processo educativo.

Debate reforça necessidade de equilíbrio nas responsabilidades
Os participantes do encontro destacaram que tanto na educação quanto na saúde há um ponto em comum: a necessidade de reorganizar funções, reduzir a sobrecarga e fortalecer o apoio institucional aos trabalhadores.

A avaliação é de que o mapeamento dos riscos, aliado a políticas de valorização profissional e melhoria das condições de trabalho, pode ajudar a reduzir os índices de afastamento e melhorar a qualidade dos serviços prestados à população.

O debate reforça ainda a importância de compreender o adoecimento dos servidores não apenas como um número, mas como reflexo direto das condições estruturais e organizacionais do serviço público.

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