Afogamento está entre as principais causas de morte de crianças no Brasil
A perda de vidas por afogamento de crianças acende um alerta vermelho para pais e responsáveis em todo o território nacional. Um levantamento preocupante divulgado pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) aponta que esse tipo de fatalidade figura entre as principais causas de morte de crianças no país. O balanço estatístico é alarmante: em média, quatro crianças morrem afogadas todos os dias no Brasil.
Conforme os dados fornecidos pela entidade, o afogamento representa a segunda causa de morte mais recorrente entre os pequenos de 1 a 4 anos. Na faixa etária dos 5 aos 9 anos, o acidente passa a ocupar a terceira posição e, no grupo de jovens entre 10 e 24 anos, é a quarta causa de óbito mais registrada.
O coronel Fábio Braga, presidente da Sobrasa e membro do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, enfatiza que a vigilância precisa ser intensificada de forma drástica, sobretudo nos períodos de férias escolares, quando as crianças passam mais tempo em momentos de lazer. Ele ressalta ainda que a imensa maioria dessas tragédias poderia ser evitada: cerca de 95% dos casos de afogamento não aconteceriam se houvesse ampla disseminação de informação e medidas preventivas de educação.
Perigo oculto dentro de casa e os riscos em águas abertas
Muitas famílias associam o risco de afogamento apenas a praias ou grandes represas, mas a realidade doméstica é severa. A Sobrasa revela que metade das ocorrências de afogamento com crianças acontece em ambientes residenciais. Piscinas sem proteção, banheiras, máquinas de lavar roupas, vasos sanitários, caixas d’água e pequenos reservatórios domésticos representam ameaças invisíveis no dia a dia.
Para blindar as crianças contra esses acidentes, especialistas recomendam a manutenção de uma vigilância ativa e ininterrupta por parte de um adulto, além de barreiras físicas (como cercas e grades) ao redor de piscinas, fechamento seguro de reservatórios de água e o ensino precoce de noções de segurança em ambiente aquático.
No panorama geral de idades, a situação brasileira também preocupa: o país registra uma morte por afogamento a cada 90 minutos. Do montante anual de 5.742 vítimas fatais, 40% têm menos de 29 anos de idade. Além disso, as estatísticas indicam que dois terços dos óbitos gerais ocorrem em ambientes naturais de água doce, como rios, lagoas e represas.
Mobilização nacional e monumentos iluminados em azul para conscientização
Com o objetivo de combater essa realidade e celebrar o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, lembrado em 25 de julho, a Sobrasa encabeçará uma grande mobilização nacional. A campanha contará com o apoio de mais de 10 mil voluntários da organização, além da colaboração de instituições públicas e privadas, universidades, clubes recreativos, corporações de bombeiros e equipes de salva-vidas.
Segundo o presidente da instituição, a meta é transmitir mensagens educativas e alertas práticos diretamente aos cidadãos. Entre as programações previstas está o projeto “Celebrando sua Cidade”, que levará cursos de salvamento, palestras educativas e treinamentos práticos de segurança aquática a diversos municípios do país.
Outro destaque da mobilização será a ação global “Go Blue – Vista-se de Azul”, que promoverá a iluminação especial de grandes monumentos e edifícios públicos no dia 25 de julho para chamar a atenção para a causa. Estruturas icônicas como o monumento do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e a Arena Castelão, no Ceará, já estão confirmadas e serão iluminadas na cor azul para apoiar o movimento de valorização da vida. Com informações da Agência Brasil


