Refinarias da Petrobras operam no limite máximo para ampliar autossuficiência de derivados de petróleo
Diante do objetivo de expandir a oferta interna de combustíveis e reduzir a dependência de importações — em um período marcado pela escalada nas cotações externas por conta dos conflitos armados no Irã —, as estruturas de refino da Petrobras atingiram um ritmo histórico de produtividade. Balanços da companhia mostram que o processamento interno ultrapassou a barreira teórica de sua capacidade instalada, otimizando a transformação do petróleo em produtos finais de alto valor agregado.
Os relatórios do primeiro trimestre do ano corrente já indicavam um aquecimento da atividade, com o chamado Fator de Utilização Total (FUT) alcançando 95%. No encerramento daquele período, o indicador específico atingiu 97,4%, registrando o patamar mais elevado para o mês desde o final de 2014. Contudo, a liderança da estatal revelou que o desempenho acelerou ainda mais nos meses seguintes, rompendo a linha dos 100% e oscilando recentemente entre 102% e 103% de ocupação ativa.
Compreendendo o indicador de desempenho operacional nas refinarias
O Fator de Utilização Total funciona como uma equação matemática que confronta o volume real de óleo bruto introduzido nas caldeiras com as metas de referência preestabelecidas nos projetos de engenharia de cada planta. Esse cálculo é monitorado de forma contínua para assegurar que o estresse operacional não comprometa as rígidas normas de segurança do trabalho, os compromissos de preservação ambiental e as especificações de qualidade dos combustíveis finais, como a gasolina, o óleo diesel e o querosene de aviação.
Por se tratar de uma projeção referencial, o limite técnico de 100% pode ser superado quando há condições ideais de infraestrutura e engenharia. Para que a operação com carga estendida ocorra de forma regularizada no país, a Petrobras submete os relatórios de viabilidade e obtém o aval da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), garantindo a estabilidade jurídica e técnica do processo.
Estratégia de manutenção preventiva robustece a confiabilidade do maquinário
A explicação para o aproveitamento histórico das refinarias está atrelada ao planejamento estratégico de paradas técnicas realizado nos anos anteriores. A empresa concentrou grandes intervenções de engenharia no ano passado, o que preparou os parques fabris para uma longa jornada de alta disponibilidade. Atualmente, o cronograma é de baixa incidência de interrupções programadas, maximizando o tempo de funcionamento dos ativos.
Somado a isso, o emprego de ferramentas de inspeção baseadas em análise de risco elevou o tempo de atividade das máquinas. Equipamentos de bombeamento que antes demandavam manutenção após operarem em 70% do tempo disponível, agora estendem a produtividade para 90% do intervalo sem necessidade de pausa. Essa confiabilidade permite processar volumes maiores por períodos prolongados, capturando margens financeiras mais vantajosas no mercado global ao agregar valor ao petróleo extraído em solo nacional.
Refinaria Abreu e Lima exemplifica o ganho tecnológico com recordes de produção
O reflexo prático desse modelo de gestão foi observado no Nordeste do país. A Refinaria Abreu e Lima, situada no complexo metropolitano do Recife, passou por um minucioso processo de revisão estrutural no início do ano anterior. Com os sistemas restaurados e calibrados, a unidade — que possui capacidade nominal projetada para 130 mil barris diários — conseguiu elevar seu processamento para patamares que variam entre 140 mil e 150 mil barris ao dia.
Essa eficiência técnica resultou no fechamento de recordes históricos. No mês passado, a planta pernambucana atingiu a marca de 385 milhões de litros de óleo diesel S-10 produzidos, superando um ápice que perdurava por quase uma década no portfólio da companhia. O avanço fortalece o arranjo das 11 refinarias da estatal espalhadas pelo território brasileiro, cuja liderança em volume continua sob o comando da Refinaria de Paulínia, responsável por quase um terço de todo o refino nacional. Com informações da Agência Brasil

