Serviço Geológico do Brasil atualiza mapa apontando 23 áreas de risco em Pará de Minas. Relatório revela quase mil pessoas em regiões vulneráveis

O Portal GRNEWS teve acesso ao novo mapeamento realizado pelo Serviço Geológico do Brasil colocou Pará de Minas em estado de atenção ao identificar 23 áreas classificadas com risco alto para desastres naturais. O levantamento aponta que aproximadamente 976 pessoas vivem em locais vulneráveis a enchentes, enxurradas, erosões, deslizamentos e movimentações de solo no município.

O estudo foi entregue à Prefeitura de Pará de Minas e integra o programa nacional de cartografia de risco geológico desenvolvido pelo Governo Federal. O objetivo é fornecer embasamento técnico para que as cidades planejem obras, investimentos e políticas públicas capazes de reduzir tragédias provocadas pelas chuvas e pelo crescimento urbano desordenado.

Pesquisadores alertam para vulnerabilidade crescente
Os pesquisadores Rafael Rolim de Souza e Guilherme Marques e Souza, responsáveis pelo relatório, afirmam que Pará de Minas enfrenta um cenário de “vulnerabilidade multicausal”, resultado da combinação entre fatores geológicos, problemas de drenagem e impactos causados pelos processos hídricos.

O relatório destaca que as chuvas registradas no primeiro trimestre de 2024 agravaram diversos pontos de instabilidade no município. Foram identificados seis setores ligados a movimentações de massa, incluindo rastejos de solo e corrida de lama, além de 17 áreas relacionadas diretamente a processos hídricos, como inundação, enxurradas e erosão fluvial.

Vila Raquel aparece entre os pontos mais críticos
Entre as áreas mais preocupantes apontadas pelo estudo está a Vila Raquel, especialmente na Avenida Presidente Vargas, onde o risco de inundação impacta cerca de 336 moradores. O levantamento também identificou situações críticas nos bairros Nossa Senhora de Fátima, Vila Maria, São Paulo, Centro, Dom Bosco, São Geraldo, São Cristóvão, Serra Verde, Padre Libério, Vila Ferreira, Matinha e Senador Valadares.

Além da área urbana, o estudo apontou riscos no distrito de Torneiros, na estrada de acesso ao distrito de Carioca e na Serra dos Cristais.

Ribeirão Paciência agrava risco de enchentes
O relatório explica que grande parte das inundações ocorre por causa do chamado “efeito remanso” provocado pelo Ribeirão Paciência. Quando o nível do ribeirão sobe durante períodos de chuva intensa, a água retorna pelos córregos tributários e invade bairros situados em regiões mais baixas da cidade.

Os técnicos também identificaram problemas estruturais que agravam a situação, como bueiros, canais e pontes subdimensionadas, dificultando o escoamento correto da água. Em algumas regiões, o risco é ampliado pela impermeabilização do solo e pela ocupação irregular de áreas próximas aos cursos d’água.

Encostas e rachaduras preocupam moradores
Outro ponto que chama atenção no estudo são os riscos ligados às encostas. O documento mostra registros de residências com rachaduras estruturais provocadas pelo deslocamento lento do solo, especialmente em regiões de maior declividade.

No Residencial Cecília Meireles, por exemplo, os técnicos encontraram vias parcialmente interditadas após o aparecimento de grandes fraturas no asfalto, indicando risco de movimentação de massa. Já no bairro São Cristóvão, foram identificados blocos rochosos instáveis com potencial de deslizamento.

Relatório recomenda ações urgentes
O Serviço Geológico do Brasil recomenda uma série de medidas preventivas para reduzir os riscos em Pará de Minas. Entre elas estão o fortalecimento da Defesa Civil, criação de sistemas de alerta com sirenes e celulares, fiscalização de construções em áreas vulneráveis, manutenção das drenagens pluviais e elaboração de planos de contingência para períodos chuvosos.

Os especialistas também orientam que o município de Pará de Minas realize monitoramento permanente das áreas de risco, especialmente durante períodos de chuva intensa, além de promover ações de educação ambiental e planejamento urbano mais rigoroso para evitar novas ocupações em regiões perigosas.

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