Brasil consolida papel de acolhimento com mais de 2 milhões de imigrantes e refugiados
O Brasil reafirma sua vocação histórica como terra de oportunidades e refúgio. Segundo o 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país abriga atualmente pouco mais de 2 milhões de estrangeiros. Esse contingente, composto por residentes, temporários, refugiados e solicitantes de asilo, abrange cidadãos de 200 nacionalidades diferentes, espalhados por todos os estados brasileiros.
Grupos vindos da Venezuela, Haiti, Cuba e Angola lideram as estatísticas. A comunidade venezuelana é o maior destaque, com uma estimativa de 680 mil pessoas vivendo em solo nacional no início de 2026, com uma presença marcante de mulheres e crianças. O relatório serve como base para a nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), que busca integrar esses públicos de forma digna à sociedade brasileira.
Mercado de trabalho formal registra salto de 54%
A busca por emprego continua sendo o motor principal do deslocamento humano. Entre 2023 e 2025, o número de imigrantes trabalhando com carteira assinada no Brasil cresceu 54%, superando a marca de 414 mil vínculos formais. Esse avanço é impulsionado pelo cenário de pleno emprego que o país atravessa, gerando uma alta demanda por mão de obra.
O setor industrial, especialmente no segmento de abate de animais na região Sul, concentra 43% desses trabalhadores. Em termos de nacionalidade, os venezuelanos lideram o mercado formal (201 mil), seguidos por haitianos (51,2 mil) e cubanos (30,7 mil). Contudo, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, alerta que a integração deve vir acompanhada de qualificação para evitar a exploração e o trabalho análogo à escravidão. O relatório também aponta um desafio estrutural: muitos imigrantes com alta escolaridade ocupam cargos de baixa renda devido a barreiras no reconhecimento de diplomas.
Avanço no acesso à educação e proteção social
A inclusão de imigrantes nos serviços públicos brasileiros registrou um crescimento histórico. Na educação básica, o número de matrículas de estudantes estrangeiros saltou de cerca de 41 mil em 2010 para mais de 224 mil em 2024 — um aumento expressivo de 437%. No ensino superior, o crescimento foi de 77,5% no mesmo período.
No campo da assistência social, o Cadastro Único (CadÚnico) registrou 650 mil migrantes em 2024, sendo a maioria mulheres (55,6%). O número de crianças e adolescentes estrangeiros no cadastro subiu 18,6% em apenas um ano, evidenciando a chegada de núcleos familiares completos. Estados como São Paulo, Paraná e Roraima são os principais polos de registro, seguidos por Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Desafios da governança e pacto federativo
Embora a política migratória seja definida pela União, o atendimento direto ocorre na ponta, nos municípios. O relatório do OBMigra destaca a necessidade urgente de fortalecer o pacto federativo, garantindo que prefeituras e governos estaduais recebam suporte técnico e financeiro para manter escolas, postos de saúde e centros de assistência preparados para a demanda migratória.
A estratégia de “interiorização” — que desloca migrantes de Roraima para outros estados — é vista como essencial, mas deve ser expandida e conectada a políticas de inclusão produtiva. Para o governo federal, o objetivo é transformar o acolhimento em desenvolvimento local, garantindo que o imigrante não apenas resida no Brasil, mas exerça plenamente sua cidadania e contribua para a economia regional. Com informações da Agência Brasil


