Ciência e genética aceleram em até 50% a recuperação da Mata Atlântica

A Mata Atlântica, floresta que abriga 72% da população brasileira, está deixando para trás o histórico de devastação para se tornar uma referência mundial em recuperação ambiental. Uma iniciativa inovadora na Bahia está provando que é possível acelerar o tempo de crescimento das árvores nativas pela metade, criando florestas mais resistentes aos impactos das mudanças climáticas.

O trabalho, liderado pela Empresa Brasileira de Reflorestamento (Symbiosis), utiliza o melhoramento genético de 45 espécies nativas, como o jacarandá, jequitibá e ipês. Ao mapear “árvores matrizes” centenárias que resistiram a décadas de exploração, os pesquisadores conseguiram isolar uma genética altamente adaptada e resiliente. O resultado são 1 mil hectares restaurados com populações estáveis, capazes de enfrentar períodos de seca e variações extremas de temperatura.

O fim da filantropia e o surgimento das florestas produtivas
A visão sobre a restauração florestal mudou: o setor privado passou a enxergar a mata em pé não como caridade, mas como um negócio lucrativo e necessário. Modelos atuais permitem que a floresta seja manejada de forma permanente, extraindo madeiras nobres, óleos e essências sem nunca realizar o corte raso. Isso garante o sequestro de carbono e a manutenção da biodiversidade enquanto gera receita.

Além disso, empresas de setores como o de energia hidrelétrica investem na proteção de mananciais para garantir a longevidade de suas operações. A restauração de encostas e matas ciliares reduz os riscos operacionais durante grandes enchentes ou estiagens severas, provando que a natureza preservada é o melhor seguro contra prejuízos econômicos.

Desafios para recuperar 15 milhões de hectares até 2050
Apesar dos avanços, a fragmentação da Mata Atlântica ainda é um obstáculo. Atualmente, restam apenas 24% da cobertura original, e somente 12,4% são de matas maduras. Segundo Rafael Bitante Fernandes, da Fundação SOS Mata Atlântica, a perda dessa diversidade afeta diretamente a vida urbana, impactando a qualidade do ar, o controle de doenças e a regularidade das chuvas.

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica estabeleceu a meta de recuperar 15 milhões de hectares nas próximas décadas. Contudo, como 90% do território do bioma está em mãos privadas, o desafio agora é escalar as políticas públicas. Pagamentos por serviços ambientais e incentivos financeiros massivos são vistos como ferramentas essenciais para convencer proprietários rurais a transformar áreas degradadas em novas áreas verdes.

Um modelo para o mundo com potencial de geração de empregos
A eficiência dos projetos brasileiros já coloca o bioma entre os dez principais exemplos globais de restauração, sendo reconhecido em congressos internacionais como uma “flagship” (carro-chefe) da conservação. Além do ganho ambiental, a conta social é promissora: estima-se que a restauração florestal focada em biodiversidade tenha o potencial de gerar um novo emprego a cada dois campos de futebol recuperados. Com informações da Agência Brasil

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