Conflito no Irã pressiona custos e Petrobras eleva preço do querosene de aviação em 18%
O cenário geopolítico global voltou a impactar diretamente o setor de transporte aéreo no Brasil. A Petrobras oficializou, a partir de 1º de maio, um reajuste médio de 18% no valor do querosene de aviação (QAV). A medida representa um aumento de R$ 1 por litro do combustível em comparação ao mês anterior, em um momento de forte instabilidade no mercado internacional de petróleo.
Impacto da guerra no Irã e cotação do petróleo
A escalada nos preços é um reflexo direto do conflito iniciado no final de fevereiro, envolvendo ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. A região é vital para a logística energética mundial, especialmente pelo Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto da produção global de óleo. Com o bloqueio dessa rota estratégica por parte do Irã, o preço do barril tipo Brent disparou, saltando de US$ 70 para patamares próximos a US$ 120, uma valorização superior a 70%.
Para mitigar o choque financeiro imediato, a estatal manteve a política de parcelamento adotada no mês anterior, quando o reajuste foi de 55%. As distribuidoras poderão dividir parte do aumento em seis parcelas, com o primeiro pagamento previsto para julho de 2026. Segundo a Petrobras, a estratégia busca equilibrar a saúde financeira das empresas aéreas e preservar a demanda, sem comprometer as contas da companhia.
Pressão nos custos operacionais das companhias aéreas
O QAV é o insumo mais pesado na planilha das empresas de aviação. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível já representava 45% de todos os custos operacionais antes desta nova alta. Como a Petrobras detém cerca de 85% da produção nacional, suas decisões tarifárias mensais ditam o ritmo financeiro do setor de transporte de passageiros e cargas no país.
A estatal defende que sua fórmula de cálculo, utilizada há duas décadas, funciona como um amortecedor de curto prazo. Isso permite que os reajustes no mercado interno ocorram de forma menos agressiva do que as variações imediatas observadas nos polos internacionais de consumo.
Ofensiva do governo para conter alta nas passagens
Diante do risco de um repasse acentuado para os preços das passagens aéreas, o governo federal implementou um pacote de socorro ao setor. Entre as medidas principais está a isenção total das alíquotas de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação, válida até o fim de maio.
Além da desoneração tributária, o plano de auxílio inclui o adiamento de tarifas de navegação devidas à Força Aérea e a liberação de R$ 9 bilhões em linhas de crédito. Esses recursos, operados pelo BNDES e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil, visam garantir fôlego financeiro às companhias para atravessarem o período de crise logística e de encarecimento das commodities provocado pela guerra. Com informações da Agência Brasil

