Clima extremo força um em cada quatro brasileiros a deixar seus lares
A crise climática deixou de ser uma ameaça abstrata para se tornar uma realidade física e deslocadora no cotidiano do Brasil. Um levantamento inédito realizado pela Ipsos para o Instituto Talanoa revela que 24% da população brasileira já precisou abandonar suas residências, ainda que temporariamente, devido a desastres ambientais. Seja por enchentes avassaladoras, deslizamentos de terra, incêndios florestais ou ondas de calor insuportáveis, a vulnerabilidade habitacional atinge agora uma parcela expressiva da sociedade.
Calor extremo e apagões lideram impactos no cotidiano
Nos últimos doze meses, a percepção de que o clima está “fora do eixo” se consolidou para 70% dos brasileiros, que notam uma frequência cada vez maior de eventos severos. O impacto mais sentido no bolso e no corpo é o calor: 48% dos entrevistados apontaram as ondas de temperatura extrema como o principal transtorno recente.
Logo em seguida, a infraestrutura mostra sinais de fadiga diante do clima, com 42% citando a falta de energia elétrica e 35% relatando dificuldades causadas por tempestades fortes. O efeito cascata atinge áreas vitais da vida do cidadão, afetando diretamente a saúde (40%), o custo e a disponibilidade de alimentos (37%) e os gastos mensais com eletricidade (37%).
Adaptação climática entra no radar mas conhecimento ainda é superficial
O conceito de “adaptação climática” — que envolve ajustar sistemas naturais e humanos para responder aos estímulos do clima — já é um termo ouvido por 81% dos brasileiros. Entretanto, o domínio sobre o assunto ainda é incipiente, com apenas 13% afirmando conhecer profundamente o que deve ser feito para proteger as cidades e as famílias.
Apesar da falta de detalhes técnicos, a consciência sobre a necessidade de mudança é alta. A maioria esmagadora (63%) defende que qualquer nova construção, seja pública ou privada, deve obrigatoriamente considerar os riscos ambientais futuros.
População apoia obras de infraestrutura e uso de recursos públicos
Mesmo diante de possíveis transtornos urbanos ou mudanças rígidas nas regras de construção, o brasileiro demonstra pragmatismo e apoio à prevenção. Dois terços da população (66%) são favoráveis a medidas de adaptação, enquanto a resistência é mínima, atingindo apenas 9%.
O apoio popular ganha força quando o financiamento provém do Estado: 76% concordam com o uso de recursos públicos para blindar as cidades contra o clima. Regionalmente, o Sudeste lidera o suporte a essas intervenções (73%), seguido pelas demais regiões, mantendo-se majoritário mesmo no Sul (58%), evidenciando que a preocupação com a segurança climática atravessa as divisas estaduais e as classes sociais. Com informações da Agência Brasil

