GRNEWS TV: Saúde mental do trabalhador vira obrigação nas empresas com entrada em vigor da nova NR 1

Durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, a psicóloga Marina Saraiva fez uma abordagem sobre a NR-1 que coloca saúde mental entre as principais responsabilidades das empresas.

Mudança amplia responsabilidade das empresas
A psicóloga Marina Saraiva explicou os impactos da nova revisão da NR-1, norma que agora coloca oficialmente os riscos psicossociais entre as responsabilidades obrigatórias das empresas.

Segundo ela, a atualização da NR-1 representa uma transformação histórica na forma como o ambiente de trabalho é enxergado. Antes, a preocupação das normas ocupacionais era mais voltada para fatores físicos, como poeira, ruído e calor. Agora, questões emocionais e psicológicas também entram no foco da fiscalização.

A psicóloga destacou que situações como excesso de trabalho, assédio moral, pressão constante, falta de apoio da liderança e ambientes tóxicos passaram a ser considerados fatores de risco ocupacional.

Assédio e sobrecarga estão entre os maiores vilões
Durante a entrevista, Marina Saraiva alertou que muitos ambientes acabam normalizando situações abusivas. Metas inalcançáveis, piadas ofensivas e jornadas desgastantes acabam sendo encaradas como algo “normal”, criando uma cultura nociva dentro das equipes.

Ela explicou que a chamada “normalização do desvio” faz com que práticas prejudiciais se tornem invisíveis ao longo do tempo, aumentando os riscos de adoecimento emocional.

Burnout, depressão e afastamentos preocupam
Outro ponto abordado foi a gravidade das consequências psicológicas causadas por ambientes tóxicos. A especialista explicou que empresas precisam considerar os piores cenários possíveis, incluindo Burnout severo, depressão incapacitante e até casos extremos de suicídio.

Segundo ela, o setor de Recursos Humanos passa a ter papel estratégico na identificação precoce de sinais de adoecimento, utilizando dados como afastamentos, atestados médicos e mudanças comportamentais.

Medidas paliativas não resolvem o problema
Marina Saraiva também chamou atenção para soluções superficiais adotadas por algumas empresas. Ela explicou que criar espaços de lazer ou oferecer aplicativos de meditação pode ajudar momentaneamente, mas não elimina a raiz do problema.

“O essencial é revisar a organização do trabalho, melhorar a liderança, ajustar processos, reduzir sobrecargas e criar canais seguros para que os trabalhadores possam falar sem medo”, afirmou.

Pequenas empresas também precisam agir
A psicóloga reforçou que o cuidado com a saúde mental não é obrigação apenas de grandes corporações. Segundo ela, micro e pequenos empresários também precisam começar a observar o clima organizacional, ouvir suas equipes e construir ambientes mais humanos e saudáveis.

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