Audiência pública reforça indefinição sobre o imóvel que abrigou o ARPPA; e Executivo não usou dinheiro do Clube da Prefeitura para comprar creche

Audiência pública realizada na Câmara Municipal de Pará de Minas amplificou o debate sobre o destino do imóvel que abrigou o extinto Clube ARPPA. O projeto que autoriza a venda do espaço segue gerando divergências entre vereadores, representantes do Executivo e moradores, principalmente diante das novas possibilidades apresentadas para utilização da área.

O encontro aconteceu no plenário da Câmara Municipal na noite de ontem (28) e reuniu parlamentares, integrantes da prefeitura e poucos cidadãos interessados em participar das discussões sobre o futuro do patrimônio público. A maioria das manifestações dos presentes na audiência pública foi contrária à venda do imóvel, defendendo que o espaço seja transformado em estrutura pública voltada ao atendimento da população.


Debate envolve valor da área e interesse público
A discussão ganhou força após questionamentos sobre o valor previsto para a negociação do imóvel. Parte da população passou a comparar o preço muito próximo e a dimensão da área seis vezes maior, em relação a venda do clube dos servidores da Prefeitura. A localização estratégica no Recanto da Lagoa com os valores apresentados para possível alienação, levantam dúvidas sobre a valorização do patrimônio e os benefícios reais para o município.

Outro ponto que gerou preocupação foi a questão ambiental. O espaço possui ampla área verde, lagoa e nascentes, consideradas fundamentais para preservação ambiental em uma região marcada pelo crescimento urbano e expansão de loteamentos.

Durante visita técnica realizada no local, vereadores e representantes da administração municipal avaliaram a estrutura física e discutiram possíveis alternativas de utilização do imóvel.

Centro Dia para idosos surge como proposta
Entre as sugestões apresentadas durante a audiência pública, uma das que ganhou maior destaque foi a implantação de um Centro Dia para idosos. A proposta prevê atendimento durante o dia com atividades físicas, convivência social e serviços especializados para a terceira idade.

A ideia ganhou força diante do aumento da população idosa em Pará de Minas e da necessidade de criação de espaços voltados ao acolhimento e assistência desse público.

Além disso, parlamentares também defenderam a possibilidade de transformar o local em uma estrutura multiuso, abrigando diferentes secretarias municipais, como Saúde, Meio Ambiente, Assistência Social, Cultura e Esporte.

Reprodução/YouTube/Câmara Municipal de Pará de Minas

Dinheiro do Clube da Prefeitura não foi usado para pagar compra de creche
Durante a audiência pública foi dito diversas vezes que a prefeitura só quer vender e não tem nenhum planejamento para utilizar os recursos. Inclusive, o presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal, Geraldo Magela de Almeida, o Geraldinho Cuíca, afirmou que o problema da prefeitura não é necessidade de arrecadar dinheiro. Justificou sua fala com base em afirmação da equipe da Secretaria Municipal de Gestão Fazendária, que durante audiência de prestação de contas realizada ontem (28), afirmou que ao contrário do que foi dito pelo prefeito Inácio Franco, a gestão municipal não usou o dinheiro da venda do clube dos servidores da prefeitura para pagar a compra do imóvel que abriga a creche lar Santa Terezinha. De acordo com a equipe da prefeitura, o imóvel foi pago com recursos próprios da Secretaria Municipal de Educação:

Geraldinho Cuíca
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Vereadora reafirma voto contrário à venda
Conforme havia antecipado durante participação no videocast Papo com Geraldo Rodrigues, apresentado de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas, pelo canal GRNEWS no YouTube, a vice-presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal e presidente da Comissão de Legislação e Justiça, Irene Melo Franco, responsável pela convocação da audiência pública, reforçou seu posicionamento contrário à venda do imóvel.

Segundo ela, o espaço possui grande relevância social, ambiental e estratégica para o município.

“A gente está falando de um patrimônio público de grande valor social, ambiental e estratégico para Pará de Minas”, afirmou.

Irene destacou ainda que o imóvel pode receber políticas públicas permanentes e integradas.


“Ali pode funcionar Saúde, Meio Ambiente, Assistência Social, Cultura e Esporte. A utilização pode ser muito ampla”, declarou.

A vereadora também citou a possibilidade de instalação de um Centro Dia para idosos e até a transferência da Secretaria de Meio Ambiente para o local, liberando outros prédios públicos para novas finalidades, como ampliação de vagas em creches.

“O que não falta são ações e atividades para dar destinação àquele espaço. Já adianto que meu voto é contrário à venda desse imóvel hoje”, completou:

Irene Melo Franco
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Secretário defende venda e cita alto custo de manutenção

Já o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Marcos Vinícius de Oliveira Santos, explicou durante a audiência os motivos que levaram a administração municipal a defender a venda do imóvel.

Segundo ele, estudos realizados no início do mandato apontaram inviabilidade financeira para manter o espaço funcionando como clube.

O secretário destacou ainda que o município já possui grande quantidade de equipamentos públicos em implantação e enfrenta dificuldades para manter todas as estruturas funcionando com eficiência.

“Não basta apenas conseguir recurso e construir equipamento público. É preciso ter condição de funcionamento e manutenção”, afirmou.


Marcos Vinícius também alertou para os altos custos operacionais do espaço e afirmou que a prefeitura busca trabalhar com mais responsabilidade na criação de novos equipamentos públicos.

“Vamos tentar fazer aplicação de novos equipamentos com mais critério e responsabilidade”, concluiu:

Marcos Vinícius de Oliveira Santos
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Possibilidade de nova conversa com prefeito
Durante a audiência, alguns participantes defenderam que os vereadores voltem a dialogar com o prefeito Inácio Franco antes que o projeto retorne ao plenário para votação.

A expectativa é que, diante das novas propostas apresentadas e da possibilidade de captação de recursos por meio de emendas parlamentares, o Executivo possa reconsiderar a venda e discutir alternativas de aproveitamento público do imóvel.

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