Denúncia de vereadora aponta exclusão de aluno com deficiência na rede municipal de ensino de Pará de Minas
A reunião ordinária da Câmara Municipal de Pará de Minas, realizada ontem, 24 de março, foi marcada por debates e um forte desabafo com denúncias graves sobre a situação da educação inclusiva na cidade. A vereadora Camila Araújo (PSDB), conhecida como Camila Mão Amiga, utilizou a tribuna para expor a falta de suporte adequado a estudantes que possuem necessidades especiais, afirmando que o que ocorre hoje nas escolas municipais não é inclusão.
Vídeo revela isolamento de criança em CMEI
Durante seu pronunciamento, a parlamentar, que é terapeuta ocupacional e especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), apresentou imagens que chocaram o plenário. Os registros mostram um aluno do CMEI Professor Mozart Campos Moreira, no bairro Jardim das Oliveiras, isolado e chorando enquanto os demais colegas participavam de uma atividade musical. Durante sua afala, ela mostrou vídeo e foto sobre o assunto.
A vereadora destacou que a cena reflete a ausência de um professor de apoio, profissional essencial para mediar a participação do estudante. “Vocês acham que essa criança está incluída nessa atividade? Ele está sozinho e chorando porque não tem professor de apoio”, questionou Camila. Ela explicou que, sem esse suporte, o que ocorre é a exclusão ou, no máximo, uma segregação onde a criança está no mesmo ambiente, mas não participa dos processos:
Camila Mão Amiga
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Desespero materno e falta de profissionais
A denúncia foi ampliada pela reprodução de um áudio enviado por uma mãe, que expressou desespero ao perceber que o filho estava sendo deixado de lado pela instituição de ensino. No relato, a mãe afirma que a criança chora e fica “resmungando” em um canto enquanto os professores atendem aos outros alunos.
Camila Mão Amiga criticou duramente a gestão da Secretaria Municipal de Educação, pontuando que a oferta de professor de apoio em apenas um turno, ou a divisão de um profissional para várias crianças com casos graves, fere a legislação. “Não estou pedindo favor. O secretário decide se vai colocar meio horário ou horário integral, mas eu estou falando de direito. Essa criança está sendo excluída”, enfatizou a vereadora:
Camila Mão Amiga
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Cobrança por políticas públicas efetivas
Para a parlamentar, o município está priorizando a economia de recursos em detrimento do bem-estar e do desenvolvimento dessas crianças. Ela reforçou que o professor de apoio deve acompanhar o aluno desde a entrada na escola, auxiliando em atividades pedagógicas, na alimentação e até na higiene, criando um vínculo necessário para o aprendizado:
Camila Mão Amiga
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Camila Mão Amiga incentivou outras famílias a buscarem seus direitos e prometeu continuar fiscalizando a situação em outras unidades de ensino de Pará de Minas, onde problemas semelhantes já foram identificados. “Inclusão é a professora pegar a mãozinha dela e bater palma com ela. Aquilo ali é isolamento, é pior que segregação”, concluiu.
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