Rota da descarbonização: governo detalha o Plano Clima para transformar a economia brasileira
O Brasil oficializou, no início de fevereiro, o guia que norteará as políticas ambientais e econômicas do país na próxima década. O governo federal publicou o sumário executivo do Plano Clima, um documento de 90 páginas que estabelece diretrizes rígidas para o enfrentamento da crise climática e para a transição em direção a um modelo de baixo carbono.
Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o documento não é apenas uma cartilha técnica, mas um compromisso ético. Segundo ela, a humanidade precisa respeitar os limites do planeta para restabelecer o equilíbrio ambiental, utilizando a transição justa como ferramenta para superar, simultaneamente, as desigualdades sociais históricas que marcam o país.
Mitigação e adaptação: o núcleo da nova política ambiental
O Plano Clima se divide em dois pilares fundamentais para garantir a resiliência do Brasil diante do aquecimento global. O documento, aprovado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) no final de 2025, organiza-se através de:
Estratégias Nacionais de Mitigação (ENM): Focadas na redução direta das emissões de gases de efeito estufa em diversos setores produtivos.
Estratégias Nacionais de Adaptação (ENA): Conjunto de ações para preparar cidades, agricultura e infraestrutura para os impactos climáticos já inevitáveis, como secas e enchentes extremas.
As iniciativas previstas no guia devem ser implementadas tanto pelo setor público quanto pelo privado até 2035, integrando planos setoriais específicos que facilitam a leitura temática por meio de gráficos e recursos interativos.
O caminho para cumprir o Acordo de Paris
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, destacou que a publicação marca um momento histórico, ocorrendo 17 anos após a primeira edição da política climática brasileira. O objetivo é dar transparência e robustez ao caminho que levará o Brasil ao cumprimento integral de suas metas na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), no âmbito do Acordo de Paris.
As metas são ambiciosas e quantificáveis:
2022 (Ponto de partida): 2,04 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente.
2030 (Meta intermediária): Redução para 1,2 bilhão de toneladas.
2035 (Alvo final): Alcançar a faixa entre 1,05 bilhão e 850 milhões de toneladas.
Se atingidos, esses números representarão uma queda drástica de até 67% nas emissões nacionais. O plano agora serve como o “manual de instruções” para que indústrias, agronegócio e centros urbanos se adaptem a uma realidade onde a sustentabilidade é o principal motor de desenvolvimento. Com informações da Agência Brasil


