Mercosul celebra pacto histórico com Europa e já projeta expansão para mercados asiáticos

O cenário da diplomacia global viveu um capítulo decisivo no sábado (17), em Assunção, no Paraguai. Após mais de duas décadas de impasses, o Mercosul e a União Europeia formalizaram a criação da maior área de livre comércio do planeta. O acordo, que une blocos formados por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia (em fase final de adesão) aos 27 países europeus, cria um mercado integrado de 700 milhões de consumidores, fundamentado nos princípios do multilateralismo e do intercâmbio sustentável.

Novas fronteiras comerciais no radar sul-americano
Apesar da magnitude do pacto com os europeus, as lideranças do Mercosul deixaram claro que este é apenas o ponto de partida de uma nova fase de abertura internacional. O presidente paraguaio, Santiago Peña, que atualmente preside o bloco, revelou que as tratativas com os Emirados Árabes estão em estágio avançado. Além disso, o foco agora se volta intensamente para o continente asiático.

Na lista de prioridades estratégicas citadas por Peña, figuram potências como Japão e Coreia do Sul, além de Indonésia e Vietnã. A China, já consolidada como um parceiro fundamental para a América Latina, continua sendo peça-chave nessa engrenagem de expansão. Simultaneamente, o bloco sul-americano trabalha em um acordo de complementação econômica com o Canadá, reforçando a convicção de que a cooperação global é o caminho para a prosperidade.

União contra o isolacionismo e a fragmentação
A cerimônia de assinatura foi marcada por discursos em defesa de um sistema comercial baseado em regras justas, em contraposição ao uso da economia como ferramenta de pressão geopolítica. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfatizaram que a parceria busca gerar riqueza compartilhada e respeitar a soberania democrática, protegendo simultaneamente o meio ambiente.

Pelo lado sul-americano, o pragmatismo deu o tom. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, destacou que o acordo é uma vitória da democracia e trará avanços tecnológicos e inclusão social. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, embora entusiasmado, alertou que o espírito de liberdade econômica deve ser preservado na implementação, evitando travas burocráticas ou protecionistas. Para o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, a integração é uma barreira necessária contra a volatilidade global e ameaças transnacionais, como o crime organizado.

Próximos passos para a implementação
A assinatura do documento encerra o ciclo de negociações, mas inicia a fase institucional. Para que as novas regras passem a valer e os benefícios econômicos cheguem às empresas e cidadãos, o texto precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país do Mercosul. A expectativa é de que a implementação ocorra de maneira gradual nos próximos anos, consolidando uma integração produtiva sem precedentes entre os dois continentes. Com informações da Agência Brasil

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