Avanço científico brasileiro promove vacinação de dose única contra a dengue em Nova Lima, Botucatu e Maranguape

Uma nova frente de combate às arboviroses ganha força com o início da imunização-piloto utilizando a vacina do Instituto Butantan. As cidades de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, já deram a largada na aplicação do imunizante, que possui o diferencial estratégico de exigir apenas uma dose para garantir a proteção. A mobilização também alcança Botucatu, em São Paulo, consolidando uma etapa crucial para validar a eficácia do produto em larga escala antes de sua distribuição nacional.

Estratégia de imunização em massa e monitoramento
Nesta fase inicial, o Ministério da Saúde disponibilizou cerca de 204,1 mil doses, distribuídas para cobrir a população-alvo de 15 a 59 anos nas três localidades escolhidas. O monitoramento dos vacinados será rigoroso, estendendo-se por um ano para observar a incidência da doença e possíveis reações adversas, repetindo o modelo de sucesso utilizado anteriormente em Botucatu durante a pandemia de covid-19.

A escolha dessas cidades não foi aleatória. Segundo Adriano Massuda, ministro da Saúde em exercício, foram selecionados municípios com populações entre 100 mil e 200 mil habitantes que possuem redes de saúde estruturadas. Essa organização é fundamental para que os pesquisadores consigam avaliar com precisão o impacto da vacina na circulação do vírus dentro da comunidade.

Resultados promissores e tecnologia nacional
Desenvolvida ao longo de duas décadas com o suporte de diversos centros de pesquisa e investimentos que somam R$ 305,5 milhões — incluindo aportes significativos do BNDES —, a vacina Butantan-DV apresentou números expressivos em seus ensaios clínicos. A eficácia geral registrada foi de 74%, mas o dado mais relevante é a proteção contra complicações: houve uma redução de 91% nos quadros graves, com taxa zero de hospitalização entre os voluntários imunizados.

Expansão da produção e próximos passos
Atualmente, o Butantan dispõe de 1,3 milhão de doses prontas. A expectativa é que, com a transferência tecnológica em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, a capacidade produtiva seja ampliada em até 30 vezes. No horizonte imediato, profissionais da atenção primária à saúde, como médicos e agentes comunitários, devem começar a receber o imunizante em fevereiro. Caso o projeto-piloto confirme os bons resultados, a vacinação será expandida gradualmente para todo o Brasil, priorizando inicialmente a faixa etária dos 59 anos até chegar aos 15 anos.

Prevenção contínua e orientações à população
Apesar do entusiasmo com a nova tecnologia, as autoridades de saúde reforçam que a vacina é uma ferramenta complementar. Em Nova Lima, a Secretaria Municipal de Saúde alerta que o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti e a eliminação de água parada continuam sendo medidas indispensáveis. Para receber a dose nas cidades participantes, o cidadão deve apresentar um documento oficial com foto e, preferencialmente, o Cartão SUS. Com informações da Agência Brasil

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