Vale ainda não fez nada e precisa “abrir guarda-chuva financeiro” para garantir abastecimento de água

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As cobranças para que a mineradora Vale assuma sua responsabilidade pela tragédia que causou com o rompimento de sua barragem em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019 intensificaram em Pará de Minas desde a última semana.

A começar pelo pronunciamento do prefeito Elias Diniz (PSD) na Câmara dos Deputados em Brasília, quando afirmou que a Vale acabou com a fonte de captação de 17 milhões de litros de água por dia para abastecer os paraminenses.

Isso ocorreu a partir do momento que os rejeitos da barragem da mineradora caíram no Rio Paraopeba, que na avaliação de ambientalistas está “morto” em uma extensão superior a 300 quilômetros. Esse trecho inclui o município de Pará de Minas que foi obrigado a suspender a captação de água naquele manancial na noite de 29 de janeiro.

Desde então a população vem sendo abastecida neste período chuvoso pela água captada no Ribeirão Paciência, Córrego dos Paivas e poços artesianos. Mas Elias Diniz afirmou que isso só será possível até abril quando iniciar o período de estiagem.

A água do Rio Paraopeba está contaminada conforme disse por meio de nota oficial o Governo do Estado de Minas Gerais no dia 31 de janeiro, atestando que a água oferece riscos a saúde humana e animal.

Esse cenário também foi confirmado pela assessoria de comunicação da Vale, por meio de nota enviada ao Portal GRNEWS na tarde de sábado (16), na qual cita o resgate de peixes, pontos de monitoramento e que a água do Rio Paraopeba não deve ser utilizada para nenhuma finalidade, como atestam os órgãos ambientais.

Com o passar do tempo aumenta a agonia da população paraminense devido ao medo do racionamento de água. Porém, ninguém quer saber de consumir água do Rio Paraopeba, caso isso seja possível algum dia, independente de quem quer seja que emita laudo garantindo que a água bruta pode ser captada para tratamento. Todos temem pela saúde em longo prazo.

Durante reunião realizada pelos integrantes do Comitê de Gestão e Avaliação de Resposta ao Desastre provocado em Pará de Minas pelo rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, na sexta-feira, 15 de fevereiro, o tom em relação à mineradora mudou.

Isso se explica pelo fato de os representantes da Vale que estão participando das reuniões estão apenas “como enfeites”. Eles dizem que não podem conceder entrevistas, quem não podem assinar documentos, em síntese, eles estão somente ouvindo os planos do município e levando para a direção da Vale, avaliam diversas pessoas envolvidas diretamente no processo.

Questionado sobre esse comportamento dos representantes da Vale pela reportagem do Portal GRNEWS, o prefeito Elias Diniz disse que de agora em diante a situação será diferente. Chega de verbalização com a Vale e tudo será documentando. Inclusive uma representante da mineradora que participou da reunião teria garantido ao promotor de Justiça Delano Azevedo Rodrigues que ela pode assinar em nome da Vale.

Outro que participou da mesma reunião e não está gostando nada desse processo é José Hermano Oliveira Franco, biólogo, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará (CBH-Pará), presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (CODEMA) e gerente da Organização Não Governamental (ONG) Ama Pangéia que desenvolve ações em defesa do meio ambiente em Pará de Minas.

Ele afirma que o problema vem sendo protelado pela Vale que ainda não fez nada pelo município. Argumenta que a concessionária Águas de Pará de Minas tem a competência necessária para construir uma nova adutora para abastecer a cidade, mas que para isso a Vale precisa “abrir o guarda-chuva financeiro”, mesmo que para isso sejam definidas cláusulas em contato:


José Hermano de Oliveira Franco
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Também é mais um a argumentar que a Vale só manda para as reuniões quem não tem nenhum poder de decisão. Por esta razão a mineradora não fez nada de concreto em Pará de Minas até o momento. Nem os poços artesianos prometidos foram perfurados:

José Hermano Oliveira Franco
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A concessionária Águas de Pará de Minas também sabe que os mananciais urbanos que estão abastecendo o município neste momento chuvoso na cidade não suportarão a demanda daqui a dois meses quando começar o período de estiagem. Inclusive, o superintendente da concessionária Thiago Contage Damaceno, que vinha mantendo certa cautela neste momento de crise, também cobra da Vale ações imediatas para construir uma nova adutora e garantir água de qualidade para a população paraminense.

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