Doença misteriosa pode ter sido causada por contaminação em cerveja artesanal; saiba como é o processo de fabricação

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No fim de dezembro de 2019, moradores e visitantes de Belo Horizonte começaram a se sentir mal. Inicialmente foram náuseas, vômitos e dores abdominais. Depois estes pacientes tiveram paralisia facial, a visão foi perdida parcialmente e outros nem conseguem mais enxergar.

Ao todo foram nove casos notificados, mas um foi descartado. Oito continuam em investigação, mas na noite de terça-feira (07), Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, não resistiu e morreu. O Instituto Médico legal (IML) finalizou a necropsia no corpo da vítima.


Os outros pacientes continuam internados em hospitais da capital mineira.

Após várias perícias e estudos, a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária informaram que foi encontrada em amostras da cerveja Belohorizontina, produzida pela Backer, substância tóxica compatível com os quadros clínicos dos pacientes. A cervejaria foi interditada nesta sexta-feira (10) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

As amostras, segundo a Polícia Civil, contém dietilenoglicol (DEG). A substância química também foi encontrada no sangue de dois dos oito pacientes internados.


O uso do composto é utilizado no resfriamento da cerveja. Ele circula na parede externa do tanque de fermentação, ou seja, não possui nenhum contato com o produto. Para chegar até a cerveja, seria necessário o dietilenoglicol passar por várias camadas dentro do tanque, o que segundo especialistas no assunto, é bem difícil.


Para saber mais sobre a substância e o que pode ter acontecido, o Portal GRNEWS conversou com Júlio Pereira, sócio proprietário da cervejaria artesanal Gotter, em Pará de Minas. A fábrica foi inaugurada há mais de três anos. Mas há bem mais tempo ele estuda sobre o assunto.

De acordo com o empresário a maioria das cervejarias não utilizam a substância apontada no laudo da perícia, pelo alto preço qual é vendida. Outra opção, bem mais em conta, é utilizar água e álcool para o resfriamento:


Júlio Pereira

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Fabricar a cerveja demora em média sete horas. Depois o líquido é levado para grandes tanques onde fica armazenado por 25 dias, para fermentação e outras etapas necessárias até o momento de embalar e chegar ao consumidor final.

Como o dietilenoglicol é utilizado apenas no resfriamento, é praticamente impossível o produto ter contaminado a cerveja durante a fabricação:

Júlio Pereira
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O empresário levantou outra questão. Dos milhares de litros produzidos pela cervejaria investigada e das centenas de clientes que tomam diariamente o produto, apenas nove passaram mal:

Júlio Pereira
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Sobre o mercado da cervejaria artesanal, que vem crescendo ao longo dos anos, Júlio Pereira acredita que os números continuarão aumentando. Estes próximos dias poderão ser de recessão, porém a cerveja produzida nas pequenas fábricas, como a Gotter, conquistou o paladar do brasileiro:

Júlio Pereira
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A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) emitiu uma nota informando que as hipóteses para o surgimento da síndrome nefroneural ainda não foram esclarecidas. A entidade ressaltou ainda que “as normas para abertura e manutenção de fábricas de cervejas são bastante rigorosas a fim de evitar qualquer dano à saúde.” E reforçou que aguarda o esclarecimento.

A cervejaria Backer vai recolher de casa em casa cervejas dos lotes L1 1348 e L2 1348, apontados pela Polícia Civil como os contaminados. A empresa pede que os consumidores que tiveram garrafas destes lotes devem ligar para o número (37) 9 9536-4042 e agendar o horário para recolhimento.

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