Consumo das famílias supera juros altos e leva desemprego ao menor nível histórico
O mercado de trabalho brasileiro encerrou o ano de 2025 com um desempenho surpreendente, atingindo a menor taxa de desocupação desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Segundo dados revelados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desemprego recuou para 5,6%, superando os 6,6% registrados no ano anterior. O resultado impressiona especialistas por ocorrer em um cenário de política monetária severa, com a taxa Selic atingindo o patamar de 15%.
O motor do pleno emprego: a força do consumo interno
A principal engrenagem que manteve as contratações em alta, apesar do encarecimento do crédito, foi o consumo das famílias. De acordo com Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa no IBGE, o país vive um ciclo de “retroalimentação benéfica”. Mesmo com os juros em níveis restritivos — que normalmente desestimulam investimentos e compras parceladas —, o aumento da massa salarial e a valorização real do salário mínimo garantiram que o brasileiro continuasse gastando.
Diferente de outros períodos, a expansão econômica de 2025 não foi movida por bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, que dependem de financiamentos caros. O foco do consumo deslocou-se para itens não duráveis e serviços essenciais, como alimentação, vestuário e cuidados pessoais. Esse movimento foi financiado diretamente pelo bolso do trabalhador, e não por endividamento bancário.
Renda em patamar recorde e amortecimento da Selic
O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro atingiu a marca histórica de R$ 3.560 em 2025. Esse valor representa um crescimento real de 5,7% acima da inflação em relação a 2024. Esse ganho de poder de compra funcionou como um escudo contra os efeitos da Selic, que subiu de 10,5% para 15% em menos de um ano para tentar frear a inflação, que passou boa parte do ano fora da meta estabelecida.
Panorama da ocupação: do comércio ao trabalho autônomo
O Brasil alcançou a marca de 103 milhões de pessoas exercendo algum tipo de atividade remunerada. O setor de Comércio e Reparação de Veículos continua sendo o maior empregador do país, sustentando 19,5 milhões de postos, seguido de perto pelo setor público e serviços sociais, com 19 milhões.
Confira os setores que mais empregaram em 2025:
Comércio e reparos: 19,5 milhões
Serviços públicos, saúde e educação: 19 milhões
Serviços financeiros e tecnologia: 13,4 milhões
Indústria: 13,3 milhões
Agropecuária: 7,9 milhões
Construção civil: 7,4 milhões
Formalidade e a ascensão do conta própria
Um dado relevante da pesquisa é o recorde de 38,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o maior número já registrado. Simultaneamente, o trabalho por conta própria cresceu 2,4%, atingindo 26,1 milhões de pessoas. Embora 73% desses autônomos ainda atuem na informalidade (sem CNPJ), o IBGE nota que esse crescimento não está “roubando” vagas do setor formal, mas sim absorvendo aqueles que anteriormente trabalhavam como empregados sem carteira, cuja categoria apresentou queda de 0,8%.
A combinação de inflação sob relativo controle e o aumento real do salário mínimo foi determinante para manter o dinamismo, especialmente entre os trabalhadores com menor escolaridade, que são os que mais rapidamente injetam seus rendimentos de volta na economia através do consumo imediato. Com informações da Agência Brasil

