Debate entre vereadores e pedido de vista travam votação sobre a venda do extinto Clube ARPPA em Pará de Minas
A possível alienação do patrimônio público municipal tornou-se o centro de um intenso debate na Câmara de Vereadores de Pará de Minas. Durante a sessão realizada nesta terça-feira (07), o Projeto de Lei Ordinária nº 15/2026, que autoriza a prefeitura a vender o imóvel do extinto Clube Arpa, teve sua tramitação interrompida após um pedido de vista, revelando profundas divergências entre os parlamentares sobre o destino da área.

Questionamentos sobre valores e proteção ambiental
O vereador Gladstone Correia Dias (PP), autor do pedido de vista, manifestou preocupação com a pressa na votação e com a preservação ambiental da área. Para ele, o local possui um valor que vai além do financeiro, devido à presença de recursos naturais. “Temos que preservar [aquele] local muito bacana e porque tem muitas nascentes; ele é um local privilegiado”, destacou o parlamentar:
Gladstone Correia Dias
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Gladstone também questionou a falta de clareza nos detalhes da proposta de venda, orçada em R$ 3,85 milhões, lembrando que o imóvel foi adquirido recentemente pelo município por R$ 2,8 milhões:
Gladstone Correia Dias
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Ele também sugeriu que, caso o governo não tenha interesse em manter o espaço, os próprios servidores poderiam assumir a gestão. “Os próprios interessados é que eram o clube da prefeitura antes de ser vendido… me parece que eles têm um grande interesse de estar administrando”, pontuou:
Gladstone Correia Dias
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Discrepância de mercado e críticas à avaliação
A crítica mais contundente em relação aos valores partiu do vereador Marcílio Magela de Souza (PSD). Ele comparou a atual proposta com a venda do antigo clube dos servidores, apontando o que considera uma avaliação irrisória para o tamanho do terreno do Arpa, que possui cerca de 60 mil metros quadrados.

“O projeto deixa dúvida da honestidade. [Um clube] próximo à BR-262 com 10 mil metros quadrados foi vendido por 3 milhões, quando temos outro aqui de 60 mil metros quadrados avaliado em 3 milhões e 850 mil. Claro que vale muito mais do que isso”, afirmou Marcílio. O vereador classificou a situação como um “absurdo” e convocou os funcionários públicos a se manifestarem na Casa Legislativa, não descartando a necessidade de uma audiência pública para discutir o tema:
Marcílio Magela de Souza
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Defesa da responsabilidade fiscal e gestão de recursos
Em contrapartida, a vereadora Márcia Flávia Marzagão Albano (PSDB) utilizou a tribuna para defender a venda, classificando a manutenção do clube como um peso financeiro insustentável para os cofres públicos. Segundo ela, a aquisição original do imóvel foi um equívoco que gerou prejuízos acumulados.

“Foi um erro a compra; comprar um ‘elefante branco’ que não funciona. Para que aquele clube funcione, é necessário um investimento muito alto que, obviamente, o prefeito não pode deixar de fazer em coisas urgentes, como saúde e educação”, argumentou Márcia. A parlamentar defendeu a visão de gestão empresarial do Executivo, focada em equilíbrio fiscal: “Espero que a gente consiga caminhar com esse projeto da forma mais racional possível para que a gente não continue tendo prejuízo”:
Márcia Flávia Marzagão Albano
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Com a suspensão da votação pelo pedido de vista, o projeto deverá retornar à pauta após os esclarecimentos solicitados, enquanto a comunidade e os servidores municipais acompanham de perto o desfecho sobre o futuro da extensa área verde no Recanto da Lagoa.
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