Novas variedades de uva impulsionam a produção de vinhos de inverno em MG
A produção de vinhos em Minas Gerais acaba de ganhar um horizonte muito mais vasto. Estudos recentes realizados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) validaram nove novas cultivares de uva que se adaptam perfeitamente à técnica da dupla poda. A descoberta é um marco para o setor, que até então baseava sua colheita de inverno quase exclusivamente nas variedades Syrah e Sauvignon Blanc, e agora vê o leque de opções se abrir para atender a diferentes paladares e demandas do mercado.
A técnica que desafia as estações
O manejo da dupla poda, uma inovação adaptada pela Epamig, permite que o ciclo da videira seja alterado. Através de duas intervenções anuais nas plantas, a colheita é deslocada para o período de inverno, quando a amplitude térmica e o clima seco favorecem a maturação perfeita das uvas. Segundo a pesquisadora Cláudia Souza, a diversificação era uma demanda antiga dos produtores que buscavam oferecer portfólios mais robustos e complexos aos consumidores.
Os testes foram rigorosos: iniciados em 2015 com o suporte da Fapemig e em parceria com a vinícola Casa Geraldo, em Andradas, os experimentos avaliaram 12 variedades ao longo de cinco safras. O objetivo foi identificar plantas vigorosas, produtivas e capazes de entregar vinhos de alta qualidade enológica.
O triunfo das uvas brancas e o destaque da Marselan
Os resultados foram promissores, especialmente para as variedades brancas. Todas as quatro testadas — Vermentino, Muscat à Petits Grains Blanc, Viognier e Marsanne — demonstraram excelente desempenho agronômico e já estão recomendadas para os vinhedos de inverno.
No campo das tintas, cinco variedades se destacaram pela produtividade: Tempranillo, Grenache, Touriga Nacional, Marselan e Mourvedre. Por outro lado, as uvas Carménère e Petit Verdot não atingiram a viabilidade necessária no cultivo de inverno devido ao baixo rendimento.
Um dos grandes destaques do estudo foi a francesa Marselan. O pesquisador Francisco Câmara ressalta que essa uva apresenta uma brotação fácil, alta produtividade e um equilíbrio notável entre o acúmulo de açúcar e a manutenção da acidez, características fundamentais para a elaboração de vinhos premium.
Impacto no mercado e difusão técnica
A pesquisa já saiu dos laboratórios e campos experimentais para ganhar os vinhedos comerciais. Variedades como Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e a própria Marselan já estão sendo utilizadas por produtores mineiros na elaboração de rótulos de colheita de inverno.
Para auxiliar os vitivinicultores nessa transição, a Epamig lançou um Boletim Técnico detalhando todo o potencial enológico e os cuidados necessários para o cultivo dessas novas opções. Com sete anos de dados acumulados, os pesquisadores garantem que o setor agora possui robustez técnica para expandir a fronteira dos vinhos finos no Brasil, consolidando Minas Gerais como um polo de inovação e excelência na viticultura mundial. Com informações da Agência Minas


