Epamig inaugura agroindústria que transforma grãos de café em cosméticos
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) oficializou a abertura de duas modernas estruturas voltadas ao avanço tecnológico e à prestação de serviços no município de Lavras. Trata-se do Laboratório de Extração de Óleo do Café e do Laboratório de Ecofisiologia Digital. As novas instalações consolidam a missão da instituição de converter o conhecimento acadêmico em soluções práticas e sustentáveis para o mercado, contando com a cooperação de parceiros estratégicos como a Universidade Federal de Lavras (Ufla) e a administração municipal.
A estrutura montada para a extração de óleos vegetais opera em escala piloto e conta com maquinários industriais integrados. O complexo permite realizar de forma sequencial o recebimento da matéria-prima, moagem, prensagem mecânica, filtragem e decantação. Esse arranjo técnico assegura a obtenção de insumos com alto padrão de pureza, ideais para o abastecimento de linhas de pesquisa e para a formulação de novos produtos de beleza.
Subprodutos do grão verde ganham espaço nas indústrias farmacêutica e de beleza
O laboratório focado no óleo do café concentrará esforços na criação e na disseminação de métodos inovadores para agregar valor à produção tradicional. O grão de café em seu estado verde possui compostos bioativos valiosos, sendo abundante em substâncias antioxidantes, fitoquímicos e ácidos graxos essenciais. Essas características atraem o interesse de indústrias de grande porte devido às suas propriedades funcionais e terapêuticas.
A exploração comercial desse derivado representa um novo horizonte econômico para os cafeicultores, permitindo que a atividade ocorra de maneira paralela e complementar à colheita convencional. A inserção do café em mercados de alto valor agregado, como o de dermocosméticos, maquiagens, medicamentos e compostos alimentares funcionais, diversifica as fontes de receita no campo e fortalece o desenvolvimento agroindustrial regional.
Pesquisadores eliminam solventes químicos em processos de extração natural
A linha de investigação científica prioriza a sustentabilidade, focando no desenvolvimento de sabonetes, hidratantes e itens para tratamento capilar livres de solventes orgânicos. Os procedimentos técnicos conseguem preservar os elementos bioativos originais do grão verde. Paralelamente, os cientistas estudam o aproveitamento do café torrado que, embora apresente menor concentração de antioxidantes, transfere para o óleo a coloração e o aroma característicos que são amplamente valorizados pelos consumidores.
O plano de trabalho da Epamig prevê a expansão das análises para outras matrizes vegetais ricas em óleos naturais e elementos bioativos, a exemplo do cacau e da uva. Estão previstos estudos integrados com equipes do Norte de Minas e da unidade de Caldas, com foco no reaproveitamento de resíduos gerados pela cadeia da vitivinicultura, transformando o que antes era descartado em insumos nobres.
Inteligência artificial e aportes financeiros modernizam a pesquisa mineira
A implementação do centro de extração exigiu um investimento global de aproximadamente R$ 1,9 milhão, subsidiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O projeto de modernização incluiu a reforma completa de um galpão industrial, concluída em 2025 com o aporte de R$ 154.105,48 em recursos próprios da empresa pública. A iniciativa conta ainda com o suporte institucional do CNPq, do Consórcio Pesquisa Café e do INCT Café.
Em paralelo, o Laboratório de Ecofisiologia Digital surge como um importante aliado dos produtores de grãos, café e cítricos. A unidade utiliza sistemas baseados em inteligência artificial para monitorar o estresse hídrico das plantas, identificar ameaças fitossanitárias precocemente e calcular índices de vigor vegetativo e estimativas de produtividade das lavouras. Com informações da Agência Minas


