O perigo do queijo sem inspeção e como ele pode destruir a sua saúde e causar surtos graves
Os riscos ocultos na fabricação clandestina de derivados do leite
Por trás de um queijo fabricado fora das normas legais, escondem-se ameaças graves à saúde de quem o consome. A garantia de um alimento seguro começa muito antes da sua chegada à mesa, exigindo um monitoramento rigoroso que vai desde a saúde do gado até a embalagem final. Quando o produto não passa pelo crivo de um serviço oficial de fiscalização, o consumidor fica exposto a zoonoses severas — enfermidades transmitidas de animais para humanos por meio de comida contaminada —, a exemplo da brucelose, tuberculose bovina, salmonelose e listeriose.
De acordo com o diretor técnico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), André Duch, a segurança alimentar depende de um ciclo de responsabilidades integradas. Este processo envolve desde a dedicação do trabalhador rural com as normas de higiene no campo até a decisão de compra do cidadão. O diretor esclarece que a inspeção oficial monitora cada fase produtiva, oferecendo o respaldo técnico necessário para certificar que o derivado lácteo está em condições saudáveis e totalmente apto para ser consumido.
O impacto direto na saúde pública e nos grupos mais vulneráveis
Os prejuízos causados por alimentos clandestinos vão além do mal-estar individual, gerando reflexos severos em toda a sociedade. A diretora de Vigilância em Alimentos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Ângela Vieira, aponta que os surtos de contaminação sobrecarregam de imediato a rede pública de saúde. O cenário eleva a busca por atendimentos médicos, exames laboratoriais e medicamentos, além de resultar em internações de longa permanência e no uso de antibióticos de alta complexidade para tratar as zoonoses.
As complicações são ainda mais preocupantes em públicos vulneráveis, como idosos, indivíduos com baixa imunidade, crianças com menos de 5 anos e gestantes. No caso das grávidas, o contágio por essas bactérias pode provocar abortos, nascimentos prematuros ou infecções graves no feto.
Ângela ressalta que o problema afeta também a economia, causando perda de produtividade e diminuindo a confiança da população no mercado alimentício. Ela reforça que investir em prevenção e fiscalização reduz drasticamente os gastos com internações e tratamentos. Para se proteger, o comprador deve sempre exigir o selo de inspeção oficial na embalagem, verificar se o produto está conservado na temperatura correta e fazer suas compras apenas em locais devidamente regularizados.
O processo de fiscalização: por que os produtos irregulares precisam ser destruídos?
A atuação do IMA no combate à produção ilegal acontece prioritariamente por meio de denúncias recebidas. Assim que uma fábrica clandestina é identificada, o local é interditado e as mercadorias são confiscadas para descarte, seguindo as diretrizes do Decreto Estadual nº 49.030. André Duch pondera que, embora a inutilização do alimento seja vista por alguns como um prejuízo severo ao produtor, a meta principal é a defesa da população, bloqueando a venda de itens que ofereçam riscos iminentes.
Como se torna inviável atestar a procedência do leite utilizado, a higiene do ambiente ou o cumprimento das regras de vigilância, todo o material apreendido é classificado como inadequado para o consumo humano. O diretor técnico alerta, ainda, que testes laboratoriais feitos diretamente no queijo pronto conseguem apenas identificar falhas de higiene na manipulação, mas são incapazes de mapear patologias profundas vindas do rebanho, como a tuberculose e a brucelose. Desse modo, nenhuma avaliação laboratorial isolada consegue substituir a fiscalização contínua de toda a cadeia de produção. Com informações da Agência Minas


