Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli para o Brasil
A Corte de Apelação da Itália proferiu uma decisão favorável ao pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, conforme confirmação oficial da Embaixada do Brasil em Roma. A ex-parlamentar é alvo de condenações no Supremo Tribunal Federal (STF) e está detida em solo europeu desde julho do ano passado, após uma operação conjunta que utilizou o alerta vermelho da Interpol.
Embora o Judiciário italiano tenha dado sinal verde para o envio de Zambelli ao Brasil, o processo ainda não é definitivo. A sentença comporta recursos e a palavra final dependerá de uma análise política do Poder Executivo da Itália.
Histórico de condenações e fuga
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de reclusão por ser a mentora intelectual da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ataque hacker, executado por Walter Delgatti, resultou na inserção de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. Além deste caso, a ex-deputada acumula uma segunda pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, referente ao episódio em que perseguiu um jornalista em São Paulo, às vésperas das eleições de 2022.
A ex-parlamentar, que possui dupla cidadania, deixou o Brasil logo após sua primeira condenação. Após passar dois meses foragida, foi localizada e presa na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma. Tentativas anteriores da defesa para converter a prisão em domiciliar, alegando questões de saúde, foram sistematicamente negadas pela justiça italiana.
Estratégia da defesa e próximos passos
O advogado de Zambelli, Fábio Pagnozzi, informou que já recorreu da decisão atual. Caso o recurso aponte vícios ou omissões no processo, a defesa acredita na possibilidade de reiniciar o julgamento do zero. Se as contestações imediatas forem rejeitadas, o caso subirá para a Corte Constitucional Superior da Itália em um prazo de 15 dias.
Pagnozzi ressaltou que, mesmo se o Judiciário mantiver o entendimento pela extradição, a decisão final é de natureza política e cabe à cúpula do governo italiano, representada pela primeira-ministra Giorgia Meloni e pelo ministro da Justiça, Carlo Nordio.
“Eles darão o parecer final. Se não se pronunciarem, Carla está livre. Se quiserem a extradição, Carla será extraditada. Porém, eles não são obrigados a acatar a decisão do Judiciário”, explicou o advogado.
O desfecho do caso deve se estender por um período considerável, enquanto as autoridades brasileiras, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério Público, acompanham os trâmites internacionais para garantir o cumprimento das penas em território nacional. Com informações da Agência Brasil
Portal GRNEWS © Todos os direitos reservados.


