Operação em MG desmantela esquema de R$ 90 milhões em vendas ilegais no e-commerce

Uma ação conjunta entre a Receita Estadual de Minas Gerais e a Receita Federal, deflagrada nesta segunda-feira (23/3), atingiu o coração de uma organização criminosa focada na sonegação de impostos. A ofensiva mirou um complexo logístico em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde funcionava um sofisticado sistema de distribuição de mercadorias estrangeiras sem nota fiscal. As investigações apontam que o grupo movimentava cerca de R$ 500 mil por dia em vendas irregulares pela internet.

Estrutura logística e armazenamento clandestino
O grupo investigado operava em três grandes galpões industriais que serviam como base estratégica para o recebimento e o escoamento de produtos diversos, como eletrônicos, bicicletas e ferramentas. A organização era meticulosa: dois pavilhões eram destinados exclusivamente ao estoque de itens sem cobertura fiscal, enquanto o terceiro funcionava como um centro de recondicionamento para produtos com defeito, vendidos diretamente a pessoas físicas sem o recolhimento de tributos.

A inteligência fiscal descobriu que o controle das operações era centralizado em um escritório de acesso restrito, localizado no mezanino de um dos galpões. Ali, os envolvidos gerenciavam listas de estoque e fluxos financeiros que ignoravam completamente a legislação tributária brasileira, gerando um prejuízo estimado em R$ 90 milhões em mercadorias circulando ilegalmente.

O uso de empresas de fachada e laranjas fiscais
Para ludibriar a fiscalização, os líderes do esquema utilizavam uma arquitetura societária baseada em “laranjas”. O método consistia em abrir empresas que, inicialmente, pagavam impostos para simular regularidade. Após um período, essas entidades passavam a omitir dados, solicitavam parcelamentos de dívidas que nunca eram quitados e, por fim, encerravam as atividades de forma irregular. Esse ciclo permitia que o grupo continuasse operando sob novos CNPJs, dificultando o rastreamento por parte das autoridades.

Durante a operação, auditores realizaram a extração de dados digitais e o levantamento físico dos estoques. Todo o montante identificado será convertido em autuações para a recuperação do ICMS, IPI e contribuições federais, acrescidos de multas pesadas e juros.

Defesa da concorrência e justiça no mercado digital
Além da recuperação dos cofres públicos, a Operação Mr. Tools busca corrigir uma grave distorção de mercado. A venda de produtos sem tributação em plataformas de e-commerce cria uma vantagem desonesta, prejudicando empresários que cumprem suas obrigações legais e pagam seus impostos em dia. Ao desarticular esse centro de distribuição, o Fisco mineiro e federal reforçam o compromisso com a concorrência leal e a integridade do ambiente de negócios no país. Com informações da Agência Minas

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