Invasão do morango congelado egípcio ameaça produção no Sul de Minas Gerais
A hegemonia do Sul de Minas como o principal polo produtor de morangos da América Latina enfrenta um desafio externo sem precedentes. O avanço do morango congelado vindo do Egito, favorecido por preços agressivamente baixos e disponibilidade constante, acendeu um alerta vermelho entre agricultores e autoridades mineiras. O tema foi o centro de uma audiência pública na Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde o setor denunciou o que classifica como concorrência desleal e prática criminosa de mercado.
Indícios de dumping e prejuízos no campo
O debate técnico apontou para a prática de dumping, que ocorre quando um país exporta produtos com valores artificialmente reduzidos para sufocar a concorrência local. Segundo dados apresentados pelo deputado Dr. Maurício, o morango egípcio entra no Brasil custando cerca de R$ 7,50, enquanto o mesmo produto é vendido por R$ 15 no mercado interno do Egito.
Essa disparidade inviabiliza o negócio em Minas Gerais, onde o custo médio de produção gira em torno de R$ 8,50 por quilo. A pressão externa força o produtor mineiro a vender abaixo do preço de custo, resultando em prejuízos acumulados. Setores como o de leite e tilápia já enfrentaram crises similares, evidenciando um desequilíbrio na política econômica federal que acaba por sobrecarregar o agronegócio nacional.
Impacto direto na agricultura familiar e nos preços
Diferente das grandes corporações internacionais, a força do morango em Minas Gerais reside na agricultura familiar, que detém 98% da produção do estado. A fragilidade desse modelo diante de acordos internacionais, como o pacto de livre comércio Mercosul-Egito, é gritante. A redução progressiva das tarifas de importação facilitou a entrada do produto estrangeiro, reduzindo drasticamente o valor pago ao produtor local.
Relatos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faemg) indicam que, em apenas um ano, alguns produtores perderam mais de 50% do valor de venda de suas caixas. A situação é ainda mais grave no fornecimento para a indústria, onde o preço pago caiu para um terço do valor original no último período, empurrando famílias rurais para uma situação de insustentabilidade econômica.
Riscos sanitários e disparidade regulatória
Além do impacto financeiro, especialistas da Epamig e da Emater levantaram questões cruciais sobre a segurança e a ética produtiva. Existe uma preocupação real com a análise fitossanitária do morango congelado importado, uma vez que pragas, fungos ou bactérias poderiam ser introduzidos no país através desses carregamentos.
Outro ponto de desigualdade é o custo de conformidade. Enquanto os produtores brasileiros precisam seguir regras ambientais e trabalhistas rigorosas, países como Egito e China operam sob legislações distintas, o que reduz seus custos operacionais de forma artificial.
Números alarmantes e próximos passos
A Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa) confirmou a gravidade da situação com dados estatísticos entre 2024 e 2025:
Importações: O volume saltou 165%, com 83% do total vindo do Egito.
Exportações brasileiras: Registraram uma queda livre de 97% em volume.
Diante do cenário, a ALMG planeja requerer investigações aprofundadas sobre a prática de dumping, além de cobrar do governo federal uma rotulagem mais clara para que o consumidor identifique a origem do produto e uma fiscalização sanitária mais rígida para proteger a produção nacional. Com informações da Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

