Minas Gerais inicia vacinação inédita contra chikungunya

O Governo de Minas Gerais deu um passo decisivo no enfrentamento das arboviroses ontem (23/2). Em uma iniciativa pioneira coordenada pelo Ministério da Saúde, os municípios de Sabará e Congonhas iniciaram a aplicação das primeiras doses da vacina contra a chikungunya. O projeto-piloto não apenas visa proteger a população local, mas servirá como um laboratório de monitoramento em tempo real para avaliar a segurança e o impacto do imunizante, fornecendo dados essenciais que podem levar à sua futura inclusão definitiva no Sistema Único de Saúde (SUS).

A escolha de Minas Gerais como palco deste estudo técnico-científico deve-se à robustez da rede estadual de vigilância. Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, que acompanhou as primeiras aplicações em Sabará, a capacidade mineira de realizar testagens em larga escala e o acompanhamento rigoroso dos prontuários foram diferenciais para a seleção do estado entre as 27 unidades da federação.

Tecnologia do imunizante e logística de aplicação
Desenvolvida pelo Instituto Butantan em cooperação com a farmacêutica Valneva, a vacina se destaca pela eficácia e praticidade: é aplicada em dose única. Durante as fases de teste, o imunizante demonstrou uma capacidade de resposta impressionante, gerando anticorpos neutralizantes em quase 99% dos voluntários.

Para esta fase inicial, o estado recebeu um lote de 28,8 mil doses. A distribuição foi organizada de acordo com critérios epidemiológicos e técnicos:
Sabará: 19,2 mil doses.

Congonhas: 9,6 mil doses.

Próximas cidades: Santa Luzia e Sete Lagoas estão programadas para entrar na campanha a partir do dia 25 de março.

Regras para imunização e grupos prioritários
A campanha é focada em adultos com idade entre 18 e 59 anos que residam nas cidades contempladas. No entanto, por se tratar de um projeto com critérios rigorosos de segurança, existem restrições importantes. O imunizante não é indicado para gestantes, lactantes, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que sofram de doenças crônicas sem controle médico. Além disso, quem apresentou quadro febril recentemente ou contraiu chikungunya nos últimos 30 dias deve aguardar para receber a dose.

A motivação de quem busca os postos de saúde é clara: evitar as sequelas prolongadas da doença. Luiz Henrique Azeredo, o primeiro a ser vacinado na UBS Campo Santo Antônio, relatou que o sofrimento de familiares com dores articulares crônicas foi o principal motor para sua decisão de se proteger.

Investimentos e resultados no combate ao Aedes aegypti
O lançamento da vacina ocorre em um contexto de fortes investimentos estaduais. Minas Gerais destina anualmente cerca de R$ 210 milhões para o cerco às doenças transmitidas pelo mosquito. Esse aporte financeiro tem permitido o uso de tecnologias avançadas, como o monitoramento por drones e a instalação de “ovitrampas” (armadilhas para ovos), além do reforço nas equipes de campo e laboratórios.

Os resultados dessa estratégia já são visíveis. Em 2025, o estado conseguiu uma redução drástica de 92% nos casos de dengue em comparação ao ano anterior. No cenário atual de 2026, embora os números de dengue e chikungunya demandem atenção, a ausência de óbitos por chikungunya até o momento reforça a importância das ações preventivas e da vigilância constante. Com informações da Agência Minas

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